Não é de hoje que se comenta que a vitória na corrida ao Palácio de Ondina dependerá de quem errar menos. Esse cenário acirrado já era esperado e começa a ser confirmado pelas pesquisas. A situação remete à campanha de ACM Neto em 2022, que foi criticada por ter cometido mais erros do que acertos. Contudo, não se pode ignorar a sorte do adversário Jerônimo Rodrigues (PT), que, na época, era um desconhecido e foi impulsionado ao cargo de governador pelo apelo ao voto no 13, liderado nacionalmente pelo presidente Lula.
Andrei Roman, CEO do instituto AtlasIntel, destacou a influência do PT e de Lula na eleição de Jerônimo, assim como na vitória de Jaques Wagner em 2006, quando o partido conquistou pela primeira vez o governo da Bahia. Roman fez essas observações durante um jantar-palestra na última segunda-feira, promovido pela Associação Comercial da Bahia e pelo grupo A Tarde, que reuniu figuras proeminentes do poder político e econômico do Estado. Ele abordou o complexo cenário nacional polarizado e a incerteza em torno da sucessão estadual.
O AtlasIntel foi o único instituto que, apesar das desconfianças, previu a ascensão e vitória de Jerônimo naquela disputa, enquanto outros institutos consideravam a eleição de Neto como certa. Embora a força de Wagner na campanha de 2006 não possa ser desconsiderada, Roman confirmou um fenômeno que tem influenciado as eleições baianas desde a redemocratização: a aliança entre um candidato ao governo e um forte postulante à presidência é um caminho seguro para o sucesso, independentemente das qualidades do candidato estadual.
Para contornar a influência da campanha nacional sobre a local, o candidato a governador precisa minimizar os erros, o que exige uma atenção especial à comunicação. A decisão de Neto de contratar o marqueteiro baiano João Santana reflete essa estratégia. Santana é um profissional experiente, que já conduziu campanhas petistas bem-sucedidas e conhece bem as táticas dos adversários.
Por outro lado, a oposição parece menos preocupada. Jerônimo ainda não definiu quem será responsável por sua campanha à reeleição e, desde que assumiu, não tem dado a devida atenção à sua comunicação, o que resultou na falta de uma marca própria em sua gestão. A escolha de uma chapa puro-sangue, com Wagner, o ex-ministro Rui Costa e um vice que não se destaca, sugere que o grupo acredita que a influência de Lula será suficiente para garantir o sucesso, mesmo diante da erosão da base de apoio ao presidente no Nordeste, como apontou Roman.
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