A cápsula Orion, parte da missão Artemis 2, realizou uma manobra crucial na noite de quinta-feira (2) para se direcionar à Lua. Essa manobra, conhecida como queima de injeção translunar (TLI), consiste em uma queima precisa dos motores da espaçonave, permitindo que ela saia da órbita terrestre e entre em uma trajetória rumo ao satélite natural. Durante a transmissão ao vivo do lançamento, o astrônomo Marcelo Zurita explicou que a cápsula completaria duas voltas ao redor da Terra antes de seguir para a Lua, adotando uma trajetória de livre retorno, na qual não haverá necessidade de desacelerar ao se aproximar do satélite, permitindo uma volta influenciada pela gravidade lunar.
O fundador do Observatório SONEAR, Cristóvão Jacques, registrou a espaçonave a cerca de 36 mil km da Terra no momento da captura, destacando que, teoricamente, a Orion poderá ser observada até próximo à Lua. A missão Artemis 2 foi lançada com sucesso na noite de quarta-feira (1) pela NASA, iniciando uma jornada de aproximadamente 10 dias ao redor da Lua. A bordo da Orion estão quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA). A trajetória da missão inclui uma volta completa ao redor da Lua, com um retorno à Terra em um caminho estável que requer ajustes mínimos. No ponto mais distante, os astronautas ultrapassarão 7.500 km além do lado oculto da Lua, estabelecendo um novo recorde de distância para voos tripulados.
Além do simbolismo histórico, a missão tem como objetivo investigar como o corpo humano reage às condições do espaço profundo, especialmente fora da órbita baixa da Terra. Os astronautas participarão de uma série de experimentos que analisarão saúde, desempenho e adaptação em um ambiente extremo, com dados que serão fundamentais para futuras missões tripuladas, incluindo planos para levar humanos a Marte. Embora a Artemis 2 não envolva um pouso na Lua, representa uma fase importante do novo programa de exploração lunar da NASA. A próxima missão, Artemis 3, está prevista para 2027 ou 2028 e testará as operações entre a Orion e os módulos de pouso comerciais da SpaceX e da Blue Origin, culminando na Artemis 4, que realizará o primeiro pouso humano na Lua na era Artemis.
A missão Artemis 2 é histórica por várias razões. Ela marca a primeira missão tripulada do século XXI a orbitar a Lua, sendo a primeira desde a Apollo 17 em 1972. A tripulação também é notável por sua diversidade, incluindo a primeira mulher e o primeiro homem negro a ultrapassar a órbita baixa da Terra, além de ser a primeira equipe internacional a atingir a órbita lunar. A cápsula Orion, ao orbitar a Lua e retornar, alcançará cerca de 410 mil km da Terra, superando o recorde da Apollo 13 e tornando-se a missão humana a ir mais longe do planeta. A velocidade de reentrada da cápsula será superior a 40 mil km/h, a maior desde as missões Apollo.
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