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Oito em cada dez mulheres mortas por feminicídio na Bahia moravam no interior; entenda a situação

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Oito em cada dez mulheres mortas por feminicídio na Bahia moravam no interior; entenda a situação

Um levantamento realizado pelo Bahia Notícias analisou a distribuição dos casos de feminicídio em mais de 417 municípios da Bahia, revelando que a maior parte das ocorrências está concentrada no interior do estado. Apesar da redução no número de casos em 2025 em comparação a 2024, a Bahia ainda apresenta um elevado índice de mortes motivadas por questões de gênero.

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, enviados pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia, mostram que 102 mulheres foram assassinadas em 2025. Desses casos, 11 ocorreram em Salvador e 91 no interior. Entre 2017 e fevereiro de 2026, foram registrados 907 casos de feminicídio, com 136 ocorrências na capital, o que indica que cerca de 85% dos feminicídios no estado acontecem fora de Salvador.

O padrão se repete nas tentativas de feminicídio, com 912 ocorrências nos últimos quatro anos, sendo 107 na capital, o que representa aproximadamente 88% dos casos concentrados no interior. Municípios como Lauro de Freitas, Juazeiro, Feira de Santana e Ilhéus estão entre os que mais registram esses crimes.

Embora algumas cidades não apresentem ocorrências, o cenário geral é alarmante, especialmente quando se consideram as tentativas de feminicídio. Um relatório da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia revela que nove em cada dez vítimas de feminicídio estavam em um contexto de violência doméstica, com cerca de 85% dos crimes ocorrendo dentro das residências das vítimas.

A advogada e pesquisadora Flávia Gomes Nogueira, da Universidade Federal da Bahia, destaca que a maioria dos feminicídios ocorre no âmbito privado, frequentemente perpetrados por companheiros ou ex-companheiros, refletindo relações de controle e dominação. A delegada Lígia Nunes de Sá, que atua em casos de violência contra a mulher no interior, aponta a dificuldade de atuação quando as vítimas não formalizam denúncias, muitas vezes devido a medos ou fatores emocionais e financeiros.

A delegada relata que, em muitos casos, as vítimas não desejam que os agressores sejam presos, preferindo que a violência cesse sem a formalização de uma denúncia. Essa confusão entre um parceiro e um agressor é um desafio, pois muitas mulheres hesitam em buscar ajuda devido à dependência emocional ou financeira.

Apesar da concentração de casos no interior, a violência se manifesta em diversas regiões e condições financeiras. A delegada Juliana Fontes, diretora do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis, ressalta que em comunidades menores, a pressão social pode ser intensa, levando as mulheres a permanecerem em relacionamentos abusivos.

Os dados revelam a magnitude do problema, mas também estão associados a histórias de vidas perdidas. Em 2025, o estado registrou 255 tentativas de feminicídio, com 26 ocorrências apenas em fevereiro de 2026. Casos como o de Leidimar Oliveira Guimarães, encontrada morta após desaparecer ao cobrar pensão alimentícia, e Sashira Camilly, que foi esfaqueada após ser dopada, exemplificam a gravidade da situação.

As delegadas enfatizam a importância de buscar ajuda para interromper o ciclo de violência. As 15 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e os 18 Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher estão disponíveis para atender as vítimas com respeito e sem julgamentos. A ampliação das denúncias e ações de prevenção é fundamental para enfrentar o problema e reduzir os índices de violência contra mulheres na Bahia.

As denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio da Central de Atendimento à Mulher ou diretamente nas delegacias. O apoio e a conscientização são essenciais para que as mulheres possam viver sem medo e sem violência.


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