N/A

Opinião: Silêncio do governo Jerônimo sobre caso Uldurico Jr. não deveria ser naturalizado

7 views
Opinião: Silêncio do governo Jerônimo sobre caso Uldurico Jr. não deveria ser naturalizado

As relações entre o Estado e facções criminosas têm sido um tema recorrente nas conversas da população, especialmente no contexto do Rio de Janeiro, que se tornou um modelo de negócio relacionado ao narcotráfico. A Bahia, por sua vez, começou a enfrentar essas dinâmicas de mutualismo, que beneficiam ambos os lados. A colaboração premiada de Joneuma Neres e a implicação do ex-deputado federal Uldurico Jr. revelam que as fronteiras entre o Estado e um estado paralelo estão se tornando cada vez mais evidentes.

Uldurico Jr. pertence a uma família tradicional da política no Extremo Sul da Bahia e foi eleito para dois mandatos na Câmara dos Deputados. Sua trajetória política não pode ser considerada de um novato, e o MDB, partido ao qual estava vinculado, não hesitou em apoiá-lo na campanha para a prefeitura de Teixeira de Freitas, que contou com o respaldo de partidos como PT, PCdoB, PSDB e PSB. Foi durante essa campanha, em 2024, que Joneuma relatou o início das negociações de Uldurico por votos de maneira não convencional.

O ex-deputado não se limitou a trocas de votos por dinheiro. Para evitar dívidas de campanha, ele aceitou negociar diretamente com Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dada, chefe do Primeiro Comando de Eunápolis, uma fuga do presídio em troca de R$ 2 milhões. Durante esse período, Uldurico também se casou em uma cerimônia luxuosa no Litoral Norte, enquanto mantinha um relacionamento extraconjugal com Joneuma, que, grávida, enfrentou dificuldades emocionais e financeiras. A colaboração premiada surgiu como uma alternativa para a sobrevivência de Joneuma, que se sentiu abandonada.

A delação não apenas resultou na prisão de Uldurico Jr., mas também expôs a incapacidade da administração penitenciária da Bahia em controlar a influência de políticos sobre atividades estatais. Uldurico informou a Joneuma que Geddel Vieira Lima exigia metade dos R$ 2 milhões prometidos por Dada. Joneuma revelou que tanto ela quanto a cúpula da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) ignoravam a crescente presença do crime organizado nos presídios. O MDB, que ficou com a Seap, foi criticado por Geddel, que descreveu a situação como uma "secretaria podre", com a conivência do governo de Jerônimo Rodrigues.

O governo, por sua vez, optou pelo silêncio após a fuga de Dada, mesmo diante da necessidade de conter a crise. A delação de Joneuma deixou o governo em uma posição delicada, sem discutir a possibilidade de tornar a Seap mais técnica, em vez de um espaço de loteamento político, especialmente após a fuga de 16 detentos em Eunápolis. Isso alimenta as críticas da oposição, que acusa o governo de conivência com o crime, embora a filiação de Uldurico ao PSDB limite essas acusações.

A relação entre o Ministério Público da Bahia e a Secretaria de Segurança Pública pode ajudar a mitigar os impactos negativos das acusações de inação do governo em relação ao estado paralelo que se formou nas prisões. Uldurico Jr. pode acabar se tornando um bode expiatório nesse processo, a menos que decida seguir o mesmo caminho de Joneuma. Nesse caso, as informações que ele poderia revelar poderiam envolver figuras proeminentes da política baiana, levantando a questão sobre a eficácia de uma operação de encobrimento.


Descubra mais sobre Euclides Diário

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Rolar para cima