O presidente estadual do PSD na Bahia, senador Otto Alencar, declarou neste domingo (1º) que o partido não adotará uma posição de neutralidade nas eleições estaduais, em meio ao impasse envolvendo o senador Angelo Coronel. Otto enfatizou que, embora respeite Coronel, não pode submeter a decisão da maioria de prefeitos e parlamentares a uma "aventura" política.
A declaração de Otto ocorreu após Coronel defender que o PSD permanecesse neutro na disputa pelo governo estadual, sem se alinhar ao PT ou à oposição liderada pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, do União Brasil. Coronel argumenta que essa neutralidade é necessária para preservar sua candidatura ao Senado, diante da possibilidade de uma chapa majoritária exclusivamente petista.
Otto criticou a proposta de neutralidade, afirmando que essa estratégia enfraqueceria o partido. Ele declarou em entrevista à Rádio Boa FM 96,1 que "neutralidade seria afundar o partido de uma vez só. Nenhum partido neutro vai para absolutamente lugar nenhum".
O dirigente do PSD afirmou que se pronunciará oficialmente sobre a situação de Coronel somente quando houver uma definição concreta sobre uma possível saída do partido. Ele também negou ter atuado para afastar Coronel, dizendo: "Eu nunca tomei nenhuma iniciativa de tirá-lo do partido ou defenestrar ele, como ele falou".
Otto apresentou números internos para mostrar que a maioria da legenda apoia a permanência na base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele mencionou que, entre os deputados estaduais do partido, sete dos nove já declararam apoio à aliança governista. Além disso, mais de 90% dos prefeitos consultados se posicionaram a favor da manutenção do acordo. "Dos 115 prefeitos consultados, mais de 90% querem estar na aliança com o governador Jerônimo. Ontem mesmo me ligou o prefeito de Itabuna, Augusto Castro, dizendo que quer permanecer na aliança", relatou.
Para o senador, a condução do partido deve seguir a vontade da maioria dos filiados e lideranças. Ele destacou que não pode direcionar o PSD para a neutralidade ou para uma aliança com a oposição apenas para atender a um projeto individual. "Eu não posso decidir o destino de tantos candidatos por uma neutralidade ou até para levar para uma aliança com o candidato da oposição ACM Neto. Não tenho nada pessoal contra ACM Neto, mas a decisão de um presidente de partido da grandeza do PSD deve ser sempre a maioria dos seus filiados", afirmou.
Otto também comentou sobre sua relação pessoal com Angelo Coronel, reconhecendo o desgaste atual. Ele mencionou que, no Senado, manteve alinhamento com o projeto político ligado ao presidente Lula, enquanto Coronel adotou posições mais à direita em votações e apoios nacionais.
De acordo com Otto, o PSD chegou a assegurar a Coronel a possibilidade de uma candidatura avulsa ao Senado, desde que dentro da coligação com o governador Jerônimo Rodrigues. No entanto, ele rejeitou a ideia de lançar candidatos proporcionais e majoritários sem se coligar na disputa pelo governo estadual, considerando esse modelo inviável.
Otto reforçou que o apoio à reeleição de Lula e de Jerônimo já foi aprovado internamente por lideranças e pela bancada federal do partido na Bahia. Ao final, ele classificou o impasse como um dos momentos mais difíceis de sua trajetória política. "Não estou decidindo o que eu quero fazer, mas o que a maioria quer que eu faça. A vida política junta e, às vezes, também separa", concluiu.
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