Documentos da Receita Federal revelam que os pagamentos do Banco Master, sob a gestão de Daniel Vorcaro, ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, se estenderam até 2025, totalizando R$ 80,2 milhões em dois anos. Dados enviados à CPI do Senado, que investiga o crime organizado, mostram que o banco declarou 11 pagamentos de R$ 3.646.529,72 ao escritório durante 2024, somando R$ 40.111.826,92. Em 2025, os registros não estão detalhados por mês, mas indicam um pagamento total de R$ 40.111.826,92.
O Barci de Moraes negou as informações, classificando-as como incorretas e vazadas de forma ilícita, e lembrou que os dados fiscais são sigilosos. O escritório não revelou o valor dos pagamentos. O ministro Alexandre de Moraes foi contatado pela assessoria de imprensa do STF, mas não se manifestou até a publicação deste texto.
Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, é uma das sócias do escritório. No início do mês passado, o Barci de Moraes confirmou ter um contrato com o Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período que coincide com a liquidação do banco, totalizando 11 meses de serviços em cada ano. Segundo informações do jornal O Globo, o contrato previa um pagamento de R$ 129 milhões em três anos, com parcelas mensais de R$ 3,6 milhões.
Dados da Receita Federal, obtidos pelo jornal Folha de São Paulo, indicam que o Banco Master recolheu R$ 2,4 milhões em impostos retidos na fonte sobre os pagamentos ao Barci de Moraes a cada ano, sugerindo um total líquido de R$ 37,6 milhões ao escritório anualmente. Na declaração de 2024, o valor aparece dividido em 11 meses, com R$ 224 mil em impostos mensais, correspondente à tributação sobre os R$ 3,6 milhões mensais.
A defesa de Vorcaro foi contatada, mas optou por não se manifestar. Quando o contrato entre o Banco Master e o Barci de Moraes foi divulgado, o escritório, que conta com dois filhos do casal entre seus sócios, manteve silêncio até março. Em nota, o escritório afirmou ter prestado serviços de consultoria e atuação jurídica ao banco, realizando 94 reuniões de trabalho entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, sendo 79 delas presenciais na sede do Master. Para isso, mobilizou uma equipe de 15 advogados e contratou três escritórios especializados em consultoria sob sua coordenação.
O Barci de Moraes também esclareceu que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no STF e destacou sua trajetória de quase duas décadas prestando serviços qualificados a grandes clientes, unindo visão jurídica e abordagem estratégica.
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