A possibilidade de anular as decisões do ministro Dias Toffoli, caso ele seja declarado suspeito ou impedido de atuar no caso do Banco Master, é considerada incerta no Supremo Tribunal Federal (STF) e entre as defesas dos investigados no inquérito. O regimento interno do STF estabelece que, se a suspeição for afirmada pelo arguido ou declarada pelo tribunal, os atos praticados por ele serão considerados nulos. No entanto, integrantes e auxiliares do tribunal indicam que o novo ministro que assumir o caso pode validar os atos anteriores.
Advogados que atuam no processo, sob reserva, afirmam que, como Toffoli apenas determinou medidas cautelares e autorizou procedimentos, como depoimentos, não seria necessária a anulação de seus atos. Algumas defesas preferem que as investigações continuem sob a supervisão de Toffoli, argumentando que não há elementos que o apontem como suspeito. Eles consideram que referências a convites para festas não demonstram intimidade, uma vez que outras figuras políticas e empresariais também foram convidadas para os eventos.
Além disso, defendem que as vendas da participação da empresa dos Toffoli no resort Tayayá, se realizadas dentro do valor de mercado e declaradas à Receita Federal, não implicam necessariamente em suspeição. A Polícia Federal entregou um documento ao presidente do STF, Edson Fachin, solicitando o encaminhamento de mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que discutem pagamentos à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio.
Esse pedido foi convertido em uma "arguição de suspeição", levantando questões sobre a imparcialidade do magistrado no caso e possíveis interesses pessoais. Fachin deu andamento ao pedido e intimou Toffoli a se manifestar. Após a resposta, o ministro decidirá sobre a suspeição ou poderá negar o pedido, alegando que a solicitação não deveria ter sido feita pela Polícia Federal, mas sim pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Se Toffoli considerar que não há legitimidade na solicitação, a questão poderá ser levada ao referendo dos demais ministros do STF, exceto ele mesmo. Fachin terá a responsabilidade de decidir se o colegiado deve analisar o assunto. As mensagens entregues pela PF, conforme revelado pela coluna Mônica Bergamo, mostram Vorcaro e Zettel mencionando o nome do magistrado e discutindo transferências que seriam pagamentos pela compra de um resort em que a Maridt é sócia. Há menções a pagamentos realizados em 2025, ano em que o negócio foi finalizado.
Além disso, existem mensagens entre Toffoli e Vorcaro, nas quais não tratam de negócios ou recursos, mas apenas combinam um encontro. Também há referências a festas e confraternizações que contaram com a presença de outras autoridades que não pertencem ao STF. Toffoli enfrenta pressão devido à sua condução do inquérito do Banco Master, com críticas surgindo em relação ao regime de sigilo imposto ao caso, sua viagem em jatinho com um dos advogados e os negócios relacionados ao resort Tayayá, que ligam seus familiares a um fundo de investimentos associado ao Master.
Em nota divulgada nesta quinta-feira (12), Toffoli afirmou não ter amizade com Vorcaro e que nunca recebeu valores dele ou de Zettel. Ele esclareceu que a empresa Maridt, da qual era sócio com seus familiares, não fazia parte do resort Tayayá quando foi sorteado como relator da investigação sobre irregularidades relacionadas ao banco e a Vorcaro. A nota do gabinete de Toffoli destaca que a ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao ministro no dia 28 de novembro de 2025, quando a Maridt já não integrava mais o grupo Tayaya Ribeirão Claro.
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