Durante a exploração da borda de uma cratera com 4 bilhões de anos, o rover Perseverance da NASA fez uma descoberta inédita em Marte: uma assinatura química associada a minerais preciosos, como rubis e safiras. A revelação ocorreu em 16 de março, durante a 57ª Conferência de Ciências Lunares e Planetárias, no Texas, e está sendo revisada para publicação na revista Geophysical Research Letters. A investigação começou com a observação de "rochas flutuantes", que se destacavam na paisagem marciana, possivelmente trazidas para o local por impactos, atividades geológicas ou processos hídricos.
Os cientistas utilizaram a SuperCam, um laser montado no Perseverance, para analisar as rochas. Quando um mineral é atingido pelo laser, ele emite luz em comprimentos de onda específicos, permitindo identificar sua composição. Em três das rochas analisadas, foi detectada a presença de coríndon, um mineral formado por alumínio e oxigênio, que pode conter elementos como cromo, titânio e ferro. Esses elementos influenciam a coloração do mineral, sendo que o cromo resulta em rubis vermelhos, enquanto ferro e titânio geram safiras azuis. Contudo, os cristais encontrados eram muito pequenos, com menos de 0,2 milímetro de diâmetro, o que impossibilitou a medição precisa da quantidade de cromo. Por essa razão, os pesquisadores optaram por se referir a eles como coríndon, evitando a classificação como rubis ou safiras.
Embora a descoberta seja intrigante, os cientistas alertam para a moderação nas expectativas. Os cristais são microscópicos e, na Terra, o coríndon raramente se forma em tamanhos grandes. Olivier Beyssac, coautor do estudo, mencionou que, embora possam existir rubis maiores em Marte, a formação de cristais grandes é incomum. Além disso, as rochas que contêm os cristais estão fora de seu contexto geológico original, o que dificulta a compreensão completa de sua história.
A formação de coríndon em Marte levanta questões sobre os processos envolvidos, uma vez que, na Terra, esse mineral se origina de atividades metamórficas e ígneas, que dependem de calor e pressão gerados pela tectônica de placas. Os pesquisadores sugerem que os cristais podem ter se formado devido a impactos cósmicos, que geram condições de alta temperatura e pressão, além de fluidos hidrotermais. Assim, a colisão de um asteroide ou cometa poderia ter criado as condições necessárias para a formação desses minerais, um processo distinto do que ocorre na Terra.
Além de rubis e safiras, o rover Curiosity já identificou evidências de outros minerais, como quartzo e opala, em diferentes regiões de Marte. Cada nova descoberta reforça a ideia de que o planeta, apesar de sua aparência árida, possui uma rica diversidade geológica. O próximo objetivo dos pesquisadores é encontrar amostras in situ, ou seja, rochas em seu local de origem, que possam fornecer informações mais detalhadas sobre a composição dos cristais e os mecanismos de sua formação. Assim, será possível determinar se Marte realmente abriga rubis e safiras à espera de serem descobertos. Por enquanto, o Planeta Vermelho se destaca por suas novas e fascinantes revelações.
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

