A prática de influenciadores publicarem informações enviesadas sobre a liquidação do Banco Master já era observada durante a análise do órgão regulador sobre a venda do banco para o BRB (Banco de Brasília). Nos últimos dias, essa atividade aumentou em meio à disputa jurídica no STF (Supremo Tribunal Federal) e no TCU (Tribunal de Contas da União), envolvendo investigadores e advogados do Master. Os influenciadores têm criticado a atuação do Banco Central e a liquidação do Master. O Banco Master e seu presidente, Daniel Vorcaro, não se manifestaram quando procurados.
Um aspecto notável é que muitos dos influenciadores envolvidos são de perfis voltados para fofocas, sem conexão com questões econômicas. Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, é um dos principais alvos dessa ofensiva. Sua área recomendou o veto à compra do BRB pelo Master e forneceu informações que foram relatadas ao Ministério Público Federal. A campanha digital também atinge o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e outros diretores, além de banqueiros e associações do setor financeiro que emitiram notas de apoio à decisão de liquidar o Master em novembro.
Em uma postagem no Instagram, o perfil @divasdohumor, em 2 de janeiro, afirmou que a gestão de Renato Gomes no BC gerou instabilidade no mercado financeiro, citando mudanças regulatórias frequentes e insegurança jurídica. Gomes deixou a diretoria do BC em 31 de dezembro. O perfil destacou que o papel do Banco Central é reduzir incertezas e que decisões mal explicadas afetam todo o sistema financeiro. A postagem anterior do perfil tratava de uma conversa entre Nicole Bahls e Gil do Vigor, enquanto a seguinte abordava o papel das tias na educação de crianças. Gomes não quis comentar, mas disse a interlocutores que não pode "dignificar as besteiras" publicadas.
Antes da rejeição da compra do Master pelo BRB, uma foto de Gomes foi exposta em outdoors em Brasília como forma de pressão. Essa estratégia gerou um espírito de corpo no colegiado do BC, que, por unanimidade, acatou o parecer de Gomes e vetou o negócio em setembro. Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), também foi alvo de ataques. A entidade mapeou os ataques e identificou um volume atípico de postagens em dezembro, analisando se poderia se tratar de um ataque coordenado.
Outro perfil que participa da ofensiva é o @Festadafirma. Em 31 de dezembro, postou sobre os depoimentos de Vorcaro e do presidente do BRB à Polícia Federal. A página é administrada pela Banca Digital, que informou ter sido procurada para divulgar conteúdo sobre o Banco Master, mas declinou a proposta. A Banca Digital afirmou que a postagem do @Festadafirma foi orgânica e pertinente ao tema tratado na página, sem negociação ou remuneração envolvida. O perfil também repercutiu uma reportagem sobre a liquidação do banco publicada pelo 'Valor Econômico'.
Uma postagem do perfil reproduziu um texto do site Notjournal, que critica a atuação do Banco Central, afirmando que a acareação entre Vorcaro e testemunhas não revelou novas evidências. A postagem é semelhante a outra feita pela página Futrikei, que possui mais de 25 milhões de seguidores, afirmando que a acareação não teve o impacto esperado. A página é agenciada pelo Grupo Farol, que também publicou conteúdo contra Gomes, mencionando especulações sobre sua possível ida para o BTG.
A Deubuzz, outra agência envolvida, teve quatro perfis de fofoca que postaram conteúdo contra Gomes no dia 2 de janeiro. As agências Deubuzz, Grupo Farol e Banca Digital não responderam aos questionamentos da reportagem. Essas empresas administram diversos perfis em redes sociais, vendendo espaços para postagens coordenadas e criando campanhas massivas na internet.
O jornal O Globo revelou que influenciadores foram abordados para postar conteúdo a favor do Banco Master, mas rejeitaram a proposta. O vereador de Erechim (RS), Rony Gabriel (PL), afirmou ter sido procurado em 20 de dezembro com uma proposta para participar da campanha, que envolvia um trabalho de gerenciamento de crise para um executivo importante, com remuneração milionária.
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