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Perícia médica frustra aliados de Bolsonaro, e defesa insistirá em prisão domiciliar

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Bolsonaro faz série de pedidos na prisão, de SmartTV a alimentação

A perícia médica da Polícia Federal indicou que Jair Bolsonaro (PL) pode continuar preso na Papudinha, em Brasília, desde que receba cuidados especiais. Essa conclusão frustrou a defesa do ex-presidente, que agora deve reiterar o pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação médica era uma das principais estratégias dos advogados e aliados de Bolsonaro para solicitar a prisão domiciliar, que foi negada após ele tentar violar sua tornozeleira eletrônica em novembro do ano passado.

Aliados de Bolsonaro receberam o laudo com pessimismo. Embora o documento indique que ele possui uma série de problemas de saúde que podem se agravar na prisão, também afirma que ele pode receber a atenção necessária na unidade da Papudinha. A perícia não considerou a possibilidade de prisão domiciliar, pois não houve determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Os médicos apenas descartaram a necessidade de transferir Bolsonaro para um hospital penitenciário.

Em nota sobre o laudo, três advogados de Bolsonaro afirmaram que a avaliação médica ainda não está completa, pois falta o parecer de um médico indicado como assistente técnico no processo. A defesa destacou que o documento aponta riscos de queda e até de morte. Um interlocutor de Bolsonaro, que pediu para não ser identificado, afirmou que a saúde do ex-presidente é pior do que a descrita na perícia e que há uma tendência clara de piora. Esse aliado acredita que, se o laudo tivesse enfatizado mais a fragilidade do estado de saúde de Bolsonaro, Moraes não teria respaldo para manter a detenção na Papudinha.

Os aliados argumentam que Bolsonaro representa um risco ao Estado, pois um acidente grave ou a morte do ex-presidente na prisão poderia recair sobre o STF. Eles minimizam o risco de fuga, considerando que a tentativa de romper a tornozeleira em novembro foi resultado de um surto. Outro aliado observou uma contradição entre a família de Bolsonaro, que vê a prisão como um risco grave, e a equipe médica, que deu alta ao ex-presidente após sua última internação em dezembro. Apesar disso, ele acredita que Moraes pode conceder a prisão domiciliar, mesmo que o laudo não tenha atendido às expectativas da defesa. A decisão sobre a transferência de Bolsonaro dependerá da avaliação do ministro sobre a responsabilidade em caso de um incidente grave.

A perícia, solicitada por Moraes, concluiu que Bolsonaro apresenta risco de queda. O laudo afirma que ele possui doenças crônicas sob controle e recomenda acompanhamento regular, além de tratamentos e medidas preventivas devido ao risco de complicações. Os médicos confirmaram que ele precisa de monitoramento diário, controle de pressão e acesso a atendimento médico imediato.

Moraes pediu que a defesa de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre a perícia. Um apoiador de Bolsonaro acredita que a PGR se posicionará a favor da prisão domiciliar, com respaldo de outros ministros do STF. As perguntas respondidas no laudo visam determinar o quadro de saúde de Bolsonaro e suas necessidades, sendo que a necessidade de internação em hospital penitenciário foi descartada pelos médicos. Moraes havia barrado perguntas relacionadas à prisão domiciliar.

A defesa de Bolsonaro afirmou que o laudo não conclui que ele pode cumprir pena na Papudinha, um batalhão da Polícia Militar do DF. O documento registra a ausência de indicação para internação hospitalar imediata, mas ressalta que o quadro clínico exige observância rigorosa de medidas médicas e assistenciais específicas. A defesa destacou que a falta dessas medidas pode resultar em descompensação clínica súbita, com risco de morte, além de novas quedas.

Os filhos Carlos e Eduardo Bolsonaro manifestaram-se nas redes sociais pedindo a prisão domiciliar do pai após a divulgação do laudo. Eduardo compartilhou uma publicação do deputado estadual Gil Diniz, de São Paulo, que afirmou que manter um homem doente, vítima de atentado e condenado por um tribunal de exceção nessas condições é desumano, ilegal e cruel, e que a prisão domiciliar é urgente e inegociável.

Em janeiro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro conversou com Moraes, questionando se ele poderia conceder a Bolsonaro o mesmo benefício dado ao ex-presidente Fernando Collor em maio passado, que foi a prisão domiciliar humanitária. Moraes respondeu que Collor foi diagnosticado com Parkinson e tem risco de queda. O laudo da PF aponta que há risco de novas quedas para Bolsonaro, especialmente sem vigilância contínua. O documento menciona que ele apresenta sinais e sintomas neurológicos que aumentam o risco de novos episódios de queda, necessitando de investigação diagnóstica.

Bolsonaro sofreu uma queda e bateu a cabeça no início de janeiro, quando estava preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília. Após esse incidente e a conversa com Michelle, Moraes transferiu o ex-presidente para uma cela mais espaçosa na Papudinha.


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