N/A

Perito da PF produziu arquivos ‘Moraes’ e ‘Toffoli’ a partir do celular de Vorcaro, diz investigação

4 views
STF forma maioria para manter Vorcaro em presídio de segurança máxima em votação de 50 minutos
Descrição da imagem

A Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o perito criminal João Cláudio Nabas produziu dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”. Esses documentos foram gerados a partir de citações encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Nabas também sugeriu a colegas da PF o vazamento desse material.

Essas informações fazem parte de uma investigação aberta pela PF, a pedido de Mendonça, para apurar vazamentos relacionados ao celular de Vorcaro. A operação resultou em um cumprimento de busca e apreensão contra Nabas em maio, devido a suspeitas de violação do sigilo funcional. Após a operação, ele foi afastado de suas funções.

O escritório de advocacia que representa Nabas não se manifestou quando contatado pela reportagem do Estadão. O espaço permanece aberto para comentários. Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli também foram procurados, mas não se pronunciaram.

A PF destacou que a investigação não envolve profissionais de imprensa ou o direito constitucional à preservação do sigilo da fonte, focando apenas na violação de sigilo funcional por servidores públicos. Nabas, que é especializado em crimes financeiros, foi convocado para ajudar na Operação Compliance Zero em novembro do ano passado. A investigação sobre o vazamento revela que ele acessou os dados do celular de Vorcaro em 1º de dezembro e, três dias depois, criou os arquivos mencionados. Essas informações foram obtidas por meio dos registros do usuário de Nabas no sistema da PF.

Os documentos continham diálogos e menções aos ministros Moraes e Toffoli, incluindo trechos de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de um dos ministros. Depoimentos de policiais federais envolvidos na investigação indicam que Nabas sugeriu o vazamento à imprensa, mas a equipe não concordou. No entanto, detalhes do contrato da esposa de Moraes foram divulgados pela mídia dias depois, com Viviane enviando o contrato diretamente ao WhatsApp de Vorcaro.

No pedido de busca e apreensão contra Nabas, a PF afirmou que ele realmente criou os documentos relacionados aos magistrados. A análise dos metadados e conteúdos reforçou os indícios de que Nabas organizou e repassou à imprensa informações sigilosas sobre os ministros do STF, encontradas no celular de Vorcaro. A PF observou que, ao acessar os dados extraídos do aparelho, Nabas direcionou seus esforços para buscar elementos desabonadores dos ministros, com a intenção de divulgar essas informações na mídia.

Para investigar o vazamento, a PF ouviu diversos policiais da equipe da Operação Compliance Zero, que relataram ter conhecimento da sugestão de Nabas para o vazamento das informações. Um dos policiais afirmou que Nabas analisou os dados remotamente de Vilhena (RO) e, em 5 de dezembro de 2025, enviou um arquivo em PDF sem identificação, contendo mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Em seguida, Nabas enviou um áudio sugerindo a divulgação do conteúdo à imprensa, mas a equipe recusou. Mesmo assim, ele insistiu e enviou um segundo arquivo em PDF, também sem identificação, intitulado “Toffoli e esposa.pdf”.

Esse segundo documento continha informações sobre o ministro Dias Toffoli e sua ex-esposa Roberta Rangel, incluindo dados sobre o resort Tayayá. Parte dessas informações foi utilizada pela PF para apresentar um pedido de suspeição contra Toffoli ao STF. O Estadão revelou que um fundo de investimentos administrado pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, injetou R$ 20 milhões no resort, que tinha participação acionária do ministro.

Após o vazamento, Nabas foi removido da equipe da Operação Compliance Zero e teve seus acessos aos materiais e dados das apreensões encerrados. Ministros do STF só podem ser investigados pela PF com autorização do próprio Supremo. Devido ao foro por prerrogativa de função, qualquer diligência ou inquérito policial envolvendo esses magistrados deve ser protocolado no STF e conduzido sob a relatoria de um de seus ministros.


Descubra mais sobre Euclides Diário

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Rolar para cima