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Políticos ampliam uso de IA e geram preocupação, enquanto TSE discute regras para 2026

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O uso de inteligência artificial na comunicação política tem crescido e deve se intensificar nas eleições de 2026. Partidos e candidatos já estão utilizando essa tecnologia para atacar adversários e disseminar suas ideias. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) discute a manutenção ou ampliação das regras estabelecidas nas últimas eleições municipais. Na segunda-feira passada, 19 de fevereiro, a corte divulgou uma proposta inicial de normas sobre propaganda eleitoral, sem prever alterações nos itens relacionados ao tema. Um período de consulta pública foi aberto, com audiências agendadas para fevereiro.

Atualmente, já é proibido o uso de "deepfakes" e de conteúdos "fabricados ou manipulados" que visem disseminar informações falsas ou gravemente descontextualizadas. Para os casos que não se enquadram nas condutas vedadas, é obrigatória a informação sobre o uso de inteligência artificial no conteúdo. Em 2024, havia receios de que a tecnologia pudesse desequilibrar as eleições, mas especialistas afirmam que isso não se confirmou. A avaliação atual é de que o desafio deve aumentar com a ampliação do uso dessas ferramentas na próxima disputa.

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Nos últimos meses, por exemplo, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem utilizado as plataformas para veicular mensagens que exploram a retórica de ricos contra pobres. Essa estratégia gerou uma reação da direita, que também produziu vídeos com a mesma tecnologia. As ações políticas abrangem diversos espectros e misturam humor, ataques e defesas de agendas. As produções variam de imagens inspiradas em estilos populares nas redes sociais a vídeos realistas.

Jaqueline Zulini, doutora e professora de ciência política na Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que a chegada da inteligência artificial generativa permitiu que campanhas criassem milhares de mensagens personalizadas em segundos, algo impensável há uma década. Ela observa que a tecnologia ampliou o acesso às ferramentas de campanha, embora traga novos riscos à integridade eleitoral. O que antes era exclusivo de grandes campanhas agora está disponível para qualquer candidato.

Marcelo Vittorino, professor de comunicação e marketing político na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), acredita que o uso da tecnologia ainda está aquém do seu potencial. Ele afirma que a maioria dos partidos ainda está em um estágio inicial, e o principal efeito até agora é a redução de custos e o aumento do volume de conteúdo produzido. Pedro Burgos, consultor em inteligência artificial e professor de comunicação no Insper, observa que a principal mudança recente foi a transição do texto para o conteúdo multimídia. Ele ressalta que, anteriormente, a IA ajudava a escrever discursos, mas agora é mais eficaz na criação de imagens, vídeos e áudios.

Além da produção de conteúdo, Burgos menciona que a IA está sendo utilizada para melhorar o "social listening", que monitora conversas nas redes sociais para mapear temas e demandas do eleitorado. Ele explica que, por muito tempo, essa prática foi imprecisa, mas agora é possível realizar análises mais complexas sobre quais assuntos são mais relevantes para a população. Burgos também alerta que o principal risco relacionado à desinformação não se limita a deepfakes realistas, mas inclui manipulações mais simples, como vídeos verídicos fora de contexto.

Os partidos têm adotado uma postura cautelosa em relação ao uso da inteligência artificial. O Partido Progressista (PP) afirma que ainda não possui diretrizes formalizadas para essa tecnologia. As equipes de comunicação são orientadas a seguir valores democráticos de transparência e responsabilidade, garantindo que todo conteúdo produzido com IA passe por supervisão humana. O PP destaca a importância de combater a desinformação e respeitar o direito dos eleitores a um processo eleitoral íntegro.

O União Brasil afirma que a tecnologia deve ser utilizada de forma auxiliar e que as estratégias para 2026 ainda estão em desenvolvimento. O partido planeja empregar a inteligência artificial como uma ferramenta de apoio técnico em áreas como análise de dados, organização de informações, monitoramento de redes e suporte à produção de conteúdo, sem substituir a atuação humana ou a responsabilidade política.

O MDB declara que seguirá respeitando a legislação eleitoral e mantendo um compromisso ético com a verdade, utilizando a tecnologia dentro desses princípios, mas sem especificar aplicações concretas. O PT não se opõe ao uso da inteligência artificial e a considera uma aliada da criatividade e eficiência na comunicação política. A legenda afirma que não utiliza a tecnologia para criar pessoas fictícias, simular manifestações ou produzir conteúdos que representem fatos como se fossem registros autênticos. Sempre que a tecnologia é utilizada, isso é indicado de forma explícita ao público. O PT expressa preocupação em relação ao uso da IA por outras legendas, citando riscos de desinformação, manipulação de imagens e disseminação de fake news, práticas que rejeita.

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