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Políticos veem ameaça com multiplicação de investigações da Polícia Federal sobre Master

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A ramificação das investigações envolvendo o Banco Master, que inclui a abertura de inquéritos em diversos estados e uma apuração sobre a tentativa de venda ao BRB (Banco de Brasília), é vista como uma ameaça por políticos de partidos que estão sob investigação. Nos bastidores, advogados e políticos da esquerda e do centrão afirmam que a Polícia Federal (PF) estaria fora de controle. Eles levaram ao Palácio do Planalto uma "advertência" de que as investigações podem afetar o PT e seus aliados em breve, buscando pressionar por um acordo que limite o alcance da apuração.

A PF já identificou o envolvimento de políticos com foro especial em supostos desvios relacionados ao Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, que possui conexões significativas em Brasília. Em depoimento ao STF, Vorcaro afirmou ter amigos em todos os Poderes da República. A polícia encontrou materiais que fazem referência a lideranças partidárias e altas autoridades.

Políticos da esquerda e do centrão expressam preocupação com as ramificações do caso nas diversas instâncias da Justiça, a atenção pública voltada para as investigações, o impulso do governo Lula (PT) em explorar politicamente a situação e o tamanho do rombo, que ultrapassa R$ 50 bilhões. Eles acreditam que esses fatores podem dificultar tentativas de um acerto político para abafar as investigações. Além disso, a capilaridade do banco pode resultar em delações premiadas em vários estados, o que poderia pressionar a PGR (Procuradoria-Geral da República) a finalizar acordos envolvendo autoridades com foro privilegiado.

Inquéritos já foram abertos em pelo menos seis estados, incluindo São Paulo, Alagoas, Amapá, Amazonas, Goiás e Rio de Janeiro, para investigar desvios em fundos de previdência que sofrerão prejuízos com títulos do Master. Também há investigações sobre fraudes em títulos e fundos de investimento, além das tentativas de compra do banco pelo BRB e pela Fictor. Mais de cem fundos de previdência investiram em títulos do Master e agora enfrentam prejuízos e a responsabilização de seus dirigentes.

A operação realizada na sexta-feira (6) contra a Amprev (Amapá Previdência), gestora do regime próprio de previdência do Amapá, é um exemplo das ações em curso. A operação focou no presidente da instituição, Jocildo Silva Lemos, indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que autorizou a aplicação de quase R$ 400 milhões em títulos do Master.

Um auxiliar do presidente, que preferiu não se identificar, revelou que há preocupação no Palácio do Planalto para que as investigações contra o Master não atinjam a cúpula do Congresso, devido às possíveis consequências políticas para o governo. Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), são aliados importantes de Lula. Após a operação, Alcolumbre declarou confiar nas instituições e na Justiça brasileira, defendendo que tudo deve ser apurado com transparência e respeito ao devido processo legal.

Dias antes, a PF prendeu o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, em uma ação que investiga aplicações de cerca de R$ 970 milhões do fundo fluminense no Master, um valor que provavelmente não será ressarcido com a quebra do banco. A situação atual é diferente da enfrentada durante a operação Lava Jato, quando as investigações começaram em Curitiba e se expandiram para outros locais com base em delações premiadas.

Embora o cenário não seja o mesmo, lideranças do setor financeiro veem o risco de que a rede montada por Vorcaro se transforme em uma Lava Jato ainda maior, afetando o cenário eleitoral e a economia. O Banco Central, que está no centro da crise do caso Master e tem sido alvo de críticas, se prepara para iniciar o processo de redução da taxa básica de juros (Selic) em março.

As apurações estão ocorrendo simultaneamente em várias localidades. Políticos demonstram interesse em um acordo que limite o alcance das investigações, mas reconhecem que isso pode tornar mais difícil "estancar a sangria", como sugerido pelo ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) durante a Lava Jato. Jucá propôs que um eventual governo Michel Temer (MDB) deveria estabelecer um pacto nacional "com o Supremo, com tudo" para restringir as investigações.

A queda de Dilma Rousseff não interrompeu as investigações contra políticos, e a operação começou a recuar após a Vaza Jato expor conversas do ex-juiz Sergio Moro com procuradores e policiais, o que resultou no arquivamento ou anulação de muitos processos, incluindo aquele que levou Lula à prisão. O eixo central das investigações foi transferido para o ministro do STF, Dias Toffoli, que enfrenta questionamentos sobre o sigilo absoluto dos processos e sobre investimentos de um fundo ligado ao Master em um resort de sua família.

Nos bastidores, parte dos ministros defende que ele envie as apurações para a primeira instância, a fim de retirar a suspeição sobre o tribunal. Além disso, as suspeitas fortaleceram a discussão sobre um código de conduta para os integrantes do Supremo. O novo líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirma que Lula se posiciona claramente contra a obstrução das investigações da PF, inclusive em relação a pessoas próximas a ele, como um de seus filhos, que é investigado por supostos desvios no INSS. Uczai declarou que não acredita que alguém tenha força diante da autonomia da Polícia Federal nas operações que estão sendo realizadas.


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