O instituto de pesquisa Genial/Quaest divulgou ontem resultados que agitaram os bastidores da política na Bahia. Pela primeira vez, a pesquisa aponta um virtual empate técnico entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o candidato das oposições, ACM Neto (União Brasil), em relação à sucessão estadual. Esse resultado não é o que os adversários do PT esperavam, especialmente considerando as avaliações predominantes sobre a gestão atual, que agora podem ser vistas como apressadas.
Até o momento, Neto liderava a disputa com uma margem confortável, registrando 41% das intenções de voto, enquanto Jerônimo tinha 37%. A pesquisa da Quaest sugere que, em menos de um mês desde o último levantamento de outro instituto, Jerônimo conseguiu melhorar os indicadores que questionavam sua administração. No entanto, não há evidências de que os problemas nas áreas de segurança, saúde e educação tenham sido resolvidos. Além disso, o PT enfrenta a percepção de fadiga após 20 anos no poder.
A situação do presidente Lula, que apoia as candidaturas petistas, também não parece ter melhorado. Seu governo enfrenta críticas por uma sensação de estagnação e uma economia afetada pela insegurança gerada pelo conflito entre EUA e Israel e o Irã. A indefinição sobre a chapa de Jerônimo e a escolha do candidato a vice refletem a desconfiança dentro da base governista sobre a capacidade de reeleição. Até o momento, não houve contratações significativas de marqueteiros ou mudanças notáveis no comportamento do governador.
Com os novos dados, um novo cenário se apresenta para o governo. No entanto, a pesquisa não esclarece o impulso percebido em favor da continuidade. Uma possível explicação poderia estar relacionada à estratégia de Neto. O candidato oposicionista tem se esforçado para evitar os erros que o afastaram da disputa em 2022, sendo a contratação do marqueteiro baiano João Santana um dos principais movimentos. Santana, que já trabalhou com o PT, pode trazer uma visão valiosa para a campanha.
Entre as investigações que Santana poderia realizar, uma delas seria avaliar a possibilidade de uma aproximação entre Neto e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), que poderia estar influenciando o avanço de Jerônimo. Em um estado predominantemente petista, é arriscado esquecer que, na última eleição, Neto obteve quase 1,2 milhão de votos que foram para Lula. O desafio de manter o voto cruzado é significativo, mas não impossível.
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