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Pré-campanha de Lula tem disputa interna, e aliados travam embates do jurídico à comunicação

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Pré-campanha de Lula tem disputa interna, e aliados travam embates do jurídico à comunicação
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A pré-campanha do presidente Lula (PT) se intensifica a cerca de um mês do início oficial da corrida presidencial, com disputas internas no comitê eleitoral. As disputas envolvem a equipe de comunicação, a definição do plano de governo para um possível quarto mandato e questões jurídicas. Esse embate ocorre em um momento em que Lula amplia sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e registra uma recuperação na aprovação do governo. Uma pesquisa da Quaest, divulgada nesta quarta-feira, mostra que o petista está oito pontos à frente do senador.

As tensões na comunicação são frequentes, com o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, e o chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, discutindo publicamente sobre a direção da campanha. Segundo aliados, Lula precisou intervir para interromper a discussão. O presidente expressou descontentamento com o tom festivo de uma peça publicitária da Secom, relembrando que já havia se manifestado contra esse estilo. Enquanto Sidônio defendia sua posição, Marcola apoiou Lula, gerando um acirramento entre eles.

A situação se complicou com a transferência das contas pessoais de Lula para o PT, onde Nicole Briones, esposa de Marcola, coordena a parte digital. Os perfis do presidente agora estão sob a responsabilidade de Ricardo Stuckert, ex-secretário de produção e divulgação de conteúdo audiovisual. Lula decidiu que Sidônio permanecerá no governo, embora ele não participe do marketing da campanha. O publicitário Raul Rabelo, ex-sócio de Sidônio, se juntará à equipe, que inclui Stuckert, Nicole e o secretário de comunicação do PT, Edén Valadares, sob a coordenação de Edinho Silva, presidente do PT.

Sidônio minimizou a discussão com Marcola em conversas privadas, afirmando que não houve briga. Aliados de Sidônio também negam qualquer mal-estar entre ele e outros auxiliares de Lula, ressaltando que o presidente pediu que Sidônio permanecesse no governo. Ambos foram contatados para comentar a situação, mas não responderam.

A elaboração do plano de governo também gerou desavenças, especialmente após Sérgio Gabrielli, coordenador do programa, questionar publicamente a centralidade da política de juros no combate à inflação. Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, reagiu às críticas, afirmando que a equipe econômica não foi consultada sobre o texto. Gabrielli defendeu que está ouvindo o governo e a sociedade para a redação da proposta, que ainda está em desenvolvimento. Lula, no entanto, determinou que o programa só será discutido após a aprovação da equipe econômica e de Haddad.

Gabrielli e Haddad não comentaram sobre as divergências na pré-campanha. Além de mediar desavenças, Lula expressou preocupação com o desempenho da equipe jurídica, que enfrenta divergências entre o presidente do PT e Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas. Lula acredita na necessidade de uma atuação mais política nos tribunais e, há dois meses, informou Edinho sobre a decisão de escalar Marco Aurélio para a coordenação jurídica da campanha. O presidente tem cobrado uma estrutura que enfrente a disseminação de fake news e o uso de inteligência artificial nas eleições.

A escolha de Marco Aurélio se baseou em sua defesa pública de Lula. No entanto, duas semanas depois, Edinho informou que não haveria um coordenador jurídico. Ele já estava montando uma equipe para atuar nos tribunais, defendendo a manutenção de parte da equipe de 2022, liderada pelo atual ministro do STF, Cristiano Zanin. A assessoria do PT afirmou que não há disputa no jurídico da campanha e que a equipe está trabalhando na pré-campanha presidencial.

Atualmente, o escritório Ferraro, Rocha e Novaes conduz as principais ações do PT na Justiça Eleitoral. O partido aposta em uma estratégia de combate à desinformação, baseada na análise das redes sociais. O grupo já apresentou ações que resultaram na remoção de postagens que associavam o PT ao crime organizado, além de representações contra a articulação de Flávio Bolsonaro com o governo dos Estados Unidos.

Defensores da manutenção da equipe jurídica argumentam que seu papel não é atrair atenções, mas realizar um trabalho técnico. Eles expressam preocupação com a possibilidade de que a postura contundente de Marco Aurélio enfrente resistência entre os magistrados. Por outro lado, aqueles que defendem uma atuação política ressaltam a chegada da ex-ministra do TSE, Maria Claudia Bucchianeri, na campanha de Flávio, e expressam preocupação com o perfil discreto do atual escritório.

Há discussões sobre a possibilidade de trazer outro advogado para sustentações orais em julgamentos na corte eleitoral. Angelo Ferraro, advogado discreto e técnico, faz parte da equipe do PT desde a campanha de Dilma Rousseff, mas não tem participado das reuniões da coordenação de Lula. Justificativas atribuídas a Edinho sobre a falta de trânsito de Marco Aurélio no TSE e a demora na formalização de um convite incomodaram o advogado. Edinho explicou que ainda não havia finalizado a montagem da assessoria jurídica.

Diante desse impasse, Marco Aurélio foi convidado a integrar a equipe de Fernando Haddad, garantindo um assento na coordenação-geral da campanha, sem subordinação ao presidente do PT. Ao ser questionado sobre a não aceitação da indicação de Lula, Edinho negou ter se oposto ao advogado, afirmando que Marco Aurélio é seu amigo e profissionalmente qualificado. Ele pediu tempo para construir uma proposta de unidade, ressaltando que a equipe já está trabalhando na pré-campanha e acumulando vitórias.

Marco Aurélio, por sua vez, afirmou respeitar a opinião de Edinho, mas discorda do papel definido para a assessoria jurídica da campanha. Ele argumenta que a ameaça do uso de inteligência artificial nas eleições, juntamente com as fake news, exige um trabalho político da equipe.


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