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Promotora detalha estratégias do Ministério Público para coibir violência nos estádios

Promotora detalha estratégias do Ministério Público para coibir violência nos estádios

Em entrevista concedida ao programa Bahia Notícias no Ar, na rádio Antena 1 Salvador, a promotora de Justiça Thelma Leal, coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Consumidor (Ceacon) do Ministério Público da Bahia (MP-BA), detalhou as medidas judiciais em vigor para combater a violência no futebol. A magistrada enfatizou como a tecnologia tem sido uma aliada fundamental na fiscalização de torcedores banidos das arenas esportivas.

Tecnologia e biometria no controle de torcedores

O monitoramento de indivíduos sob restrição judicial tornou-se mais rigoroso com a integração de sistemas de dados. Segundo a promotora, a utilização da biometria e a inclusão de nomes no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) permitem uma fiscalização unificada entre diferentes estados e forças de segurança.

Anteriormente, torcedores com restrições eram obrigados a se apresentar em unidades como o Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (BEPE) com duas horas de antecedência ao início das partidas. Com a modernização dos sistemas, o compartilhamento dessas informações garante que o impedimento de acesso seja cumprido de forma mais eficiente em todo o território nacional, conforme diretrizes do Ministério Público da Bahia.

Desafios operacionais e segurança pública

Apesar da eficácia na identificação individual, a promotora destacou que a segurança fora do perímetro imediato dos estádios ainda enfrenta obstáculos logísticos. Embora a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) realize a classificação de risco dos jogos, existe uma preocupação com a falta de dimensionamento adequado das responsabilidades por parte de outros atores do sistema e gestores de arenas.

Thelma Leal reforçou que a presença de um efetivo policial robusto é necessária não apenas nas arenas, mas também nos bairros, onde costumam ocorrer confrontos entre torcidas organizadas. A integração entre os órgãos é vista como o caminho para mitigar os riscos antes mesmo da chegada dos torcedores ao local do evento.

Responsabilização das torcidas organizadas

Como medida complementar, a promotora defende o endurecimento dos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados com as torcidas organizadas. A proposta é que as próprias agremiações assumam a responsabilidade de punir e excluir preventivamente associados envolvidos em atos de violência.

Essa exclusão ocorreria, no mínimo, até a conclusão das investigações criminais conduzidas pelas autoridades competentes. A medida visa transferir parte do ônus da fiscalização para as entidades, que passariam a responder diretamente pela conduta de seus membros.

Preparação para a Copa do Mundo Feminina

O Ministério Público da Bahia já articula ações coordenadas em âmbito nacional visando a Copa do Mundo Feminina de 2027. O foco principal é a prevenção da violência de gênero, abrangendo tanto a proteção de torcedoras quanto o combate à violência doméstica durante o período do torneio.

Diretrizes específicas para o evento serão definidas em reuniões estratégicas, como a agenda prevista para outubro em Belo Horizonte. O objetivo é garantir um ambiente seguro e inclusivo para o público, consolidando protocolos de atuação que possam ser replicados em todo o país.

Fonte: bahianoticias.com.br


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