A capivara, maior roedor do mundo, tornou-se um símbolo da fauna brasileira, atraindo o interesse de muitas pessoas que desejam tê-la como animal de estimação devido à sua natureza dócil. No entanto, a legalização da posse de uma capivara envolve diversas exigências burocráticas e financeiras. Retirar o animal da natureza é considerado um crime ambiental inafiançável, e os tutores devem seguir rigorosamente as normas do Ibama para evitar complicações legais.
Para garantir a posse legal de uma capivara, é essencial consultar a lista de animais silvestres permitidos para criação doméstica no Brasil. O Ibama exige que o animal seja adquirido de um criadouro comercial devidamente registrado e autorizado. No momento da compra, o tutor deve receber uma nota fiscal que contenha informações detalhadas sobre a espécie e o número de identificação do animal, que deve ter um microchip implantado. A falta dessa documentação torna a posse ilegal, podendo resultar em multas, processos criminais e apreensão do animal.
A escolha do criadouro é o primeiro passo, sendo necessário buscar locais certificados pelo Ibama que forneçam nota fiscal e certificado de origem. O segundo passo envolve a verificação da microchipagem do filhote, que é obrigatória para rastreamento legal. Por fim, o recinto deve ser preparado com um espaço amplo, que inclua uma área seca e um tanque de água limpa, pois as capivaras necessitam de acesso constante à água para nadar e manter sua saúde.
Além do espaço adequado, as capivaras precisam de interação social, uma vez que são animais extremamente sociáveis que vivem em grupos na natureza. O isolamento prolongado pode levar a estresse e depressão, o que exige que o proprietário dedique tempo para interagir diariamente ou considere ter mais de um exemplar. O recinto deve incluir um lago ou piscina com filtragem eficiente, e a dieta deve ser baseada em capim fresco, vegetais e ração específica para roedores. O espaço deve permitir movimentação livre e exposição solar direta, além de um controle rigoroso de carrapatos para prevenir doenças.
O investimento inicial para ter uma capivara como pet é elevado em comparação a animais domésticos tradicionais. O preço de aquisição em um criadouro certificado varia entre R$ 10.000 e R$ 20.000, dependendo da região e da genética do animal. Além do custo do animal, o tutor deve investir em infraestrutura, como cercados e sistemas de manutenção para o tanque de água. É importante considerar todos esses gastos antes de oficializar a adoção para evitar problemas financeiros ou o abandono do animal.
A alimentação de uma capivara adulta consiste principalmente em capim, folhas, vegetais e ração peletizada, com um consumo diário volumoso que impacta o orçamento mensal do tutor. A saúde do animal também apresenta desafios, como a dificuldade em encontrar veterinários especializados em fauna silvestre para consultas e vacinas, além de procedimentos cirúrgicos que podem ter custos elevados. Portanto, é recomendável manter uma reserva financeira para emergências médicas.
Para encontrar criadouros autorizados pelo Ibama, a pesquisa deve ser feita nos portais estaduais de meio ambiente ou no sistema Sisbio do Ibama. A aquisição de capivaras em redes sociais ou sites de vendas informais é estritamente proibida, pois contribui para o tráfico de animais silvestres e prejudica a conservação da espécie. Ao contatar um criador, é fundamental verificar a validade da licença de operação e conferir a documentação ambiental antes de realizar qualquer pagamento, garantindo que o novo pet tenha nascido em cativeiro sob condições seguras e dentro das normas de bem-estar animal.
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