O encerramento da janela partidária e do prazo para renúncia de prefeitos e governadores que pretendem concorrer a outros cargos nas eleições de outubro alterou a dinâmica entre os partidos, favorecendo legendas de direita e centro-direita. A movimentação dos pré-candidatos redefiniu o cenário eleitoral nos estados, impactando a formação de palanques para Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) nas eleições presidenciais. Um levantamento aponta que, até este sábado (4), 11 governadores e 20 prefeitos deixaram seus cargos para entrar na disputa pela Presidência, governos e Senado.
O PSD, que em 2022 elegeu apenas Ratinho Junior (Paraná) e Fábio Mitidieri (Sergipe), agora conta com seis governadores após novas adesões, tornando-se o partido com o maior número de governadores. A legenda atraiu os governadores de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rondônia, além de assumir Minas Gerais com a renúncia de Romeu Zema (Novo) e a ascensão de Mateus Simões. Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, é considerado estratégico para o pleito nacional. Apesar de sua força nos estados, o PSD enfrenta dificuldades para consolidar apoio em torno de Ronaldo Caiado. Governadores do Nordeste buscam aproximação com Lula, enquanto outros apoiam as candidaturas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema.
A divisão também se reflete em outros partidos da centro-direita que cresceram após as renúncias. O PP aumentou de dois para quatro governadores com a ascensão de Lucas Ribeiro, na Paraíba, e Celina Leão, no Distrito Federal. Na Paraíba, o partido se aproxima de Lula e busca apoio formal do PT para a sucessão estadual. No Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Acre, a legenda está em negociações para formar alianças com o PL. O MDB também cresceu, passando de dois para quatro governadores com as posses de Daniel Vilela em Goiás e Ricardo Ferraço no Espírito Santo. A legenda se fortaleceu em São Paulo com a filiação do vice-governador Felício Ramuth, que deixou o PSD.
O PT mantém quatro governadores após a decisão de Fátima Bezerra de não renunciar ao Governo do Rio Grande do Norte. O PSB, por sua vez, perde o comando do Espírito Santo e da Paraíba, onde os governadores deixaram os cargos para concorrer ao Senado. Entre os 27 governadores atuais, 18 vão buscar reeleição, incluindo 10 que eram vices e assumiram o cargo recentemente. O cenário destaca o protagonismo dos vices que se tornaram governadores, todos eles concorrendo à sucessão.
Em dois estados, tanto o governador quanto o vice deixaram os cargos. No Amazonas, o governador Wilson Lima (União Brasil) e o vice Tadeu de Souza (PP) renunciaram na noite de sábado (4), surpreendendo a classe política local. Lima será candidato ao Senado, enquanto Souza concorrerá a deputado federal. O governo será assumido interinamente pelo presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade (União Brasil). No Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto governa interinamente após a renúncia de Cláudio Castro (PL), que também concorre ao Senado, e do vice Thiago Tampolha, que já havia renunciado em 2025.
A mudança na correlação de forças também se estende aos municípios. Ao menos 20 prefeitos renunciaram para concorrer ao governo, ao cargo de vice ou ao Senado. O União Brasil continua sendo o partido com mais prefeituras nas capitais, agora com seis prefeitos, incluindo o interino Pedro DaLua, que assumiu a Prefeitura de Macapá após o afastamento de Dr. Furlan (PSD) em decisão do Supremo Tribunal Federal, em março. Mesmo fora do cargo, Furlan renunciou para concorrer ao Governo do Amapá contra o governador Clécio Luís, que foi eleito pelo Solidariedade e migrou para o União Brasil.
O Podemos foi o partido que mais cresceu, alcançando quatro prefeituras de capitais com a filiação de Topázio Neto, prefeito de Florianópolis, que deixou o PSD, e a ascensão de Rodrigo Cunha, que assumiu a Prefeitura de Maceió após a renúncia de JHC. Em contrapartida, o PL perdeu espaço, passando de cinco para dois prefeitos, com JHC e Tião Bocalom, de Rio Branco, migrando para o PSDB após conflitos internos. Bocalom seguirá alinhado ao bolsonarismo e concorrerá ao governo, enquanto JHC ainda não definiu se disputará o governo ou o Senado.
Em Aracaju, a prefeita Emília Corrêa não disputará a eleição em outubro, mas migrou com seu grupo para o Republicanos. O PC do B reassumiu o comando de uma capital após seis anos, com a posse de Victor Marques, vice-prefeito do Recife, que assumiu o cargo com a renúncia de João Campos (PSB). A mudança também resultou no aumento do número de mulheres à frente de prefeituras de capitais, que subiu de duas para quatro. Cris Samorini (PP) passou a governar Vitória após a renúncia de Lorenzo Pazolini (Republicanos), que concorrerá ao Governo do Espírito Santo. Em São Luís, Esmênia Miranda (PSD) assumiu a prefeitura com a renúncia de Eduardo Braide (PSD) para disputar o Governo do Maranhão, tornando-se a primeira mulher negra a assumir a Prefeitura de São Luís como titular.
Outros nove prefeitos de cidades do interior renunciaram para concorrer a cargos majoritários. Allysson Bezerra (União Brasil) deixou a Prefeitura de Mossoró, a segunda maior cidade do estado, para concorrer ao Governo do Rio Grande do Norte. Marília Campos (PT), prefeita de Contagem, também renunciou para se candidatar ao Senado em Minas, seguindo a estratégia do partido de ampliar sua bancada no Senado. Os prefeitos que assumiram após as renúncias dos titulares permanecerão no comando das cidades até o fim de 2028.
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