A disputa eleitoral nos estados se inicia em meio a incertezas jurídicas que podem impactar as eleições de outubro em pelo menos cinco estados e no Distrito Federal. O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a validade das alterações feitas pelo Congresso Nacional na Lei da Ficha Limpa. Enquanto isso, políticos com pendências judiciais anunciam suas pré-candidaturas ao governo e ao Senado, criando um clima de insegurança em relação à Justiça Eleitoral.
Em setembro de 2025, o Congresso aprovou um projeto que altera os efeitos da inelegibilidade, permitindo que o prazo de oito anos comece a ser contado a partir da condenação e não após o cumprimento da pena. Essa mudança foi contestada no STF pelo partido Rede Sustentabilidade. Os ministros Cármen Lúcia e Luiz Fux votaram pela derrubada das alterações, apontando retrocessos na Lei da Ficha Limpa. No entanto, a votação foi interrompida na última semana de maio devido a um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Políticos ouvidos pelo jornal Folha de São Paulo interpretam esse pedido como um sinal de que a flexibilização da Ficha Limpa pode ser mantida, considerando que a mudança na lei ocorreria a menos de um ano da eleição.
Enquanto o STF não finaliza o julgamento, a situação de candidatos como José Roberto Arruda (PSD-DF) permanece incerta. Arruda, que foi governador do Distrito Federal entre 2007 e 2010 e envolvido no mensalão do DEM, foi preso e condenado em processos relacionados à Operação Caixa de Pandora, em 2009. Após mais de 15 anos, ele decidiu retornar à política e se lançou como candidato para desafiar a governadora Celina Leão (PP). Contudo, sua situação jurídica é complexa, pois um recurso pendente impede que a pena de inelegibilidade comece a ser cumprida. Arruda expressou confiança em sua candidatura, afirmando que consultou advogados e acredita que, com as mudanças na Lei da Ficha Limpa, está elegível.
No Rio de Janeiro, três ex-governadores que pretendiam se candidatar enfrentam pendências judiciais. Cláudio Castro (PL) desistiu de sua pré-candidatura ao Senado após se tornar alvo de investigações da Polícia Federal. Anthony Garotinho (Republicanos) lançou sua pré-candidatura ao governo, mas teve condenações anuladas pelo STF em maio, o que restaurou sua elegibilidade. Wilson Witzel, que se filiou ao Democrata, planeja concorrer novamente ao governo, embora tenha sido declarado inelegível por cinco anos em decorrência de um processo de impeachment em 2021. Witzel acredita estar apto a disputar as eleições de 2026, considerando que a condenação já ultrapassou o prazo legal.
No Norte, a situação é igualmente incerta. No Acre, Gladson Cameli (PP) renunciou ao governo para concorrer ao Senado, mas foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por crimes como organização criminosa e corrupção. Essa condenação, que ainda pode ser contestada, levanta dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral. Em Roraima, a sucessão estadual foi afetada pela cassação da chapa eleita em 2022, resultando em uma eleição indireta para escolher um governador-tampão em 21 de junho. Edilson Damião (União Brasil), que assumiu o governo em abril e planejava se reeleger, agora enfrenta incertezas sobre sua participação. Antonio Denarium (Republicanos), que governou o estado entre 2019 e 2026, também pretendia concorrer ao Senado, mas sua situação é semelhante.
A eleição indireta em Roraima está confusa, pois Arthur Henrique (PL), que renunciou à prefeitura de Boa Vista para concorrer ao governo, teve sua participação vetada pelo STF. O ministro Flávio Dino determinou que apenas candidatos que respeitaram um prazo de desincompatibilização de seis meses podem concorrer em junho, o que não se aplica a Arthur Henrique, que poderá participar apenas na eleição de outubro.
No Nordeste, Sergipe enfrenta um cenário de indefinição. Valmir de Francisquinho (Republicanos), principal nome da oposição, está elegível graças a uma decisão liminar, mas seu futuro político depende do desfecho dos processos na Justiça Eleitoral. Em 2022, ele foi o candidato ao governo com mais votos no primeiro turno, mas foi declarado inelegível e não participou do segundo turno, vencido pelo atual governador Fábio Mitidieri (PSD).
No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo), ex-procurador da República, vive uma situação indefinida após ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023. Ele busca reverter essa decisão para concorrer ao Senado na chapa liderada pelo ex-juiz e senador Sérgio Moro (PL). Valmir de Francisquinho, Gladson Cameli, Deltan Dallagnol, Edilson Damião e Antonio Denarium foram contatados pela reportagem, mas não se manifestaram.
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