Oito advogados foram detidos durante a Operação "Sintonia de Gravata", realizada pelo Ministério Público do Estado da Bahia em colaboração com as Secretarias Estaduais de Administração Penitenciária e Ressocialização, Segurança Pública e a Polícia Civil da Bahia. A operação cumpriu 22 mandados de prisão preventiva em diversas cidades, incluindo Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Feira de Santana, Serrinha e Barreiras, além de 15 mandados de busca e apreensão emitidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis.
As investigações visam apurar a atuação dos advogados e de um grupo criminoso ligado ao tráfico de drogas e à posse de armas de fogo. Segundo as autoridades, os advogados teriam abusado de suas prerrogativas para contornar o isolamento e a incomunicabilidade impostos a detentos em um presídio de segurança máxima. Essa ação teria facilitado a gestão de facções criminosas por líderes que estão encarcerados, os quais também foram alvos das medidas.
Os advogados desempenhavam um papel crucial na comunicação entre os detentos, na consolidação de decisões e no monitoramento das atividades ilícitas. O Ministério Público da Bahia destacou que essa comunicação permitia que os chefes das facções, mesmo presos, continuassem a gerenciar o tráfico de drogas, a comercialização de entorpecentes, a movimentação financeira e a resolução de conflitos internos, revelando uma estrutura organizada e hierárquica.
O grupo conseguiu driblar os mecanismos de isolamento do sistema prisional, mantendo uma rede de transmissão de ordens que favoreceu a continuidade das práticas criminosas e o fortalecimento das organizações. Os advogados identificados na operação são Luã Santos da Costa, Tamires Felix Alves Silva, Ícaro Cardoso Viana, Maria Tereza Novaes Martins, Maria Mariana Batista de Oliveira, Izabela da Silva Oliveira, Luan Mascarenhas de Souza e Fernanda Oliveira Borges. Esta última é mencionada como a primeira advogada transsexual do estado e já ocupou o cargo de presidente da Comissão de Diversidade da seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil.
Durante a operação, foram apreendidos notebooks, celulares e documentos que podem auxiliar nas investigações e na identificação de outros envolvidos. As medidas cautelares incluem a indisponibilidade de ativos financeiros dos investigados, limitados a R$ 10 milhões, além do bloqueio de veículos, bens imóveis, embarcações e aeronaves, visando impedir a movimentação de recursos relacionados a atividades ilícitas.
Mais de 100 profissionais participaram da operação, incluindo promotores de Justiça, servidores e policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas do MPBA, além de integrantes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico e do Departamento de Polícia do Interior. A Operação Sintonia de Gravata faz parte de uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público brasileiro, com o intuito de intensificar o combate às facções criminosas em todo o país.
As investigações revelaram a atuação de facções criminosas estruturadas, responsáveis por tráfico de drogas, circulação de armas e articulação entre grupos, impactando diretamente a segurança pública na Bahia. Os elementos coletados indicam que essas organizações mantinham um sofisticado esquema de comunicação clandestina, permitindo a continuidade de suas atividades mesmo com líderes detidos em unidades prisionais de segurança máxima, por meio de um núcleo externo que intermediava a transmissão de ordens entre os presos e os membros em liberdade.
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