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Estiagem severa esvazia reservatórios e paralisa a produção rural no território do Sisal

Estiagem severa esvazia reservatórios e paralisa a produção rural no território do Sisal

Uma prolongada estiagem tem transformado a paisagem rural nos municípios de Conceição do Coité e Retirolândia, na Bahia. Reservatórios de médio e pequeno porte, que historicamente garantiam a subsistência das comunidades locais, encontram-se atualmente secos, comprometendo tanto a manutenção dos rebanhos quanto o cultivo do sisal, base econômica da região.

Impacto direto na pecuária e na agricultura familiar

A escassez de chuvas significativas forçou uma mudança drástica na rotina dos produtores rurais. Com a vegetação nativa ressecada e a ausência de pastagens, a sobrevivência dos animais depende exclusivamente da compra de ração e do transporte de água, custos que se tornaram insustentáveis para muitas famílias. Em diversas propriedades, a redução do efetivo animal é evidente, com criadores optando por vender ou sacrificar rebanhos diante da impossibilidade de mantê-los.

A lavoura de sisal, cultura resiliente, também apresenta sinais claros de estresse hídrico, com folhas amareladas e arriadas. A paralisação das atividades no campo é visível em comunidades como Jitaí, onde trabalhadores rurais relatam a interrupção do ciclo produtivo devido à falta de condições básicas para o manejo da terra.

Registros históricos e a ausência de chuvas volumosas

A percepção dos moradores sobre a gravidade do cenário é corroborada por registros individuais. Na Fazenda Manuel Pereira, o agricultor Dorivaldo Ferreira Lopes, conhecido como Dunga, mantém um controle rigoroso das precipitações em um caderno. Segundo seus dados, a última chuva relevante na localidade ocorreu em fevereiro, acumulando apenas 70 milímetros.

O relato de Dunga aponta para uma tendência preocupante: a ausência, há uma década, de chuvas de grande volume, popularmente chamadas de “chuvas para fazer água”. Sem o escoamento necessário para encher tanques e açudes, a região permanece em um estado de vulnerabilidade hídrica constante, mesmo quando ocorrem precipitações isoladas.

Esvaziamento de reservatórios estratégicos

Um dos pontos mais críticos observados pela reportagem foi o Açude de Maurício, na comunidade de Contador. O reservatório, que por décadas serviu como ponto de abastecimento para filas de caminhões-pipa, secou pela primeira vez na memória recente dos moradores. A situação reflete a exaustão dos recursos hídricos superficiais que, no passado, mitigavam os efeitos de períodos secos anteriores.

Além da crise hídrica, os criadores enfrentam desafios adicionais, como o aumento de ataques de cães famintos aos rebanhos de ovelhas. A combinação de seca severa, falta de pastagem e prejuízos operacionais tem forçado um êxodo silencioso e a reconfiguração da economia rural no território do Sisal, conforme reportado pelo portal Calila Notícias.

Fonte: calilanoticias.com


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