O deputado federal José Rocha, do União, destinou R$ 1 milhão em emenda parlamentar para a construção de uma estátua de grande porte em Coribe, cidade localizada no Oeste baiano, a cerca de 900 km de Salvador e com aproximadamente 14 mil habitantes. A proposta visa criar um "marco físico" para o município, com um potencial turístico que se assemelha ao do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. O formato da escultura ainda não foi definido. Em resposta a questionamentos sobre o valor da obra, considerando as necessidades sociais da cidade, que apresenta um baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), José Rocha comparou o investimento ao custo histórico do Cristo Redentor, afirmando que a estátua poderá atrair turistas de todo o país.
Imagens do local sugerido para a construção indicam que a estátua será erguida em uma área afastada da zona urbana, na bifurcação de duas rodovias, sem residências nas proximidades. O projeto prevê a transformação da região em um parque urbano. O cronograma estipula a conclusão do monumento até o final de 2026, embora o processo licitatório ainda não tenha sido iniciado. Além do valor destinado à estátua, o deputado já alocou mais de R$ 26,9 milhões em emendas parlamentares para Coribe, incluindo recursos de comissões e da liderança. O município já foi administrado pelo pai e pelo filho de José Rocha, e atualmente é governado por um sobrinho do parlamentar.
José Rocha também denunciou colegas da Câmara pelo uso do orçamento secreto, um mecanismo de distribuição de emendas decidido por lideranças partidárias. Ele levou o caso ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que abriu investigação sobre o assunto. Apesar de suas denúncias, reportagens indicam que o deputado se beneficiou do esquema, tendo tentado direcionar R$ 152 milhões em emendas. Rocha defendeu sua posição, afirmando que "todo mundo recebeu" e que não vê crime na prática.
Em relação à utilização de parte dos recursos enviados a Coribe, cerca de R$ 1,2 milhão foi empregado na contratação de uma construtora responsável por obras na praça matriz da cidade. No entanto, a empresa está registrada em um endereço comercial no Distrito Federal, onde funciona uma gestora de negócios, e não uma construtora. A apuração jornalística revelou que o proprietário formal da empresa não foi localizado no endereço informado, levantando questionamentos sobre a regularidade da contratação.
Além disso, o deputado solicitou à Câmara dos Deputados o reembolso de despesas com procedimentos estéticos, incluindo rejuvenescimento facial e harmonização dentária. Ele apresentou notas que totalizavam R$ 123 mil, mas a Câmara autorizou o reembolso de apenas R$ 56 mil, referentes à parte odontológica. Em resposta a essa situação, José Rocha afirmou que cabe à Câmara explicar o reembolso, alegando que os procedimentos teriam justificativa médica.
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