Papagaios, jabutis e macacos precisam de cuidados especiais
Paco e Apolo eram filhotes quando chegaram à casa da auxiliar de contabilidade Laudelina Assis Ribeiro de Sousa, 63 anos. Os papagaios logo se integraram à rotina da casa, aprenderam a chamar o marido dela pelo nome e viraram o xodó da família. Contudo, anos depois, morreram um após o outro, obesos, assim que o tutor faleceu.
Apesar do acompanhamento veterinário, Paco e Apolo, que na verdade eram macho e fêmea, foram afetados pelo convívio com humanos. “Eles comiam ração apropriada para a espécie, mas tinham obesidade. O veterinário acredita que morreram porque sentiram falta do meu marido”, diz.
Equívocos
O caso de Paco e Apolo ilustra uma situação comum. Humanos adquirem animais silvestrescom a intenção de tê-los como pets mas desconhecem o impacto de tirá-los do habitat natural e o risco de zoonoses.
“Um dos maiores desafios é conseguir oferecer, dentro de casa, condições que atendam às necessidades naturais desses animais. Não basta apenas disponibilizar alimento e um espaço para viver. É preciso pensar na possibilidade de se movimentar, nos estímulos ambientais e nos comportamentos de cada espécie”, explica a médica veterinária Ana Luiza Pinho, especialista em animais silvestres e exóticos. Segundo ela, quando esses cuidados não são respeitados, podem surgir problemas de saúde, estresse e alterações comportamentais.
Recentemente, o macaco-prego Alcebíades, do ex-deputado estadual Marcell Moraes, acabou morrendo após fugir de casa. Relatos de vizinhos dão conta de que ele teria invadido residências, ingerido bebida alcoólica e remédios.

Ana Luiza Pinho, médica veterinária clinica de animais silvestres e exóticos – Foto: Arquivo pessoal
Ilegal
Jabutis, pássaros e papagaios, por exemplo, são animais silvestres que só podem ser adquiridos de maneira legal se comprados de criatórios regularizados. De acordo com Robson Pires, coordenador do Grupo Especial de Gestão Ambiental (Gepa) da Guarda Municipal de Salvador, ter um animal silvestre sem licença em casa é crime, diz a Lei 9605/98, que prevê detenção e multa ao infrator. “Muitas pessoas agem por boa-fé ou carinho, mas desconhecem a complexidade biológica e legal desses animais”, diz.
É por isto que os órgãos orientam sobre a aquisição legal . “Alguns animais silvestres ou exóticos podem ser obtidos de forma legal em criadouros comerciais cadastrados pelo Ibama ou institutos estaduais de meio ambiente. Um animal terá como documento a nota fiscal e um certificado de origem emitidos pelo criadouro”, explica o médico veterinário Paulo Bahiano, gestor do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Inema, em Barreiras, Paulo Bahiano,
Segundo ele, não é possível legalizar um animal comprado em mercados clandestinos. A recomendação é fazer a entrega voluntária aos órgãos ambientais. Entre janeiro e junho de 2026, foram registradas pelo Cetas 8.486 entradas de animais e 4.423 solturas.

Ação educativa estimula a entrega voluntária – Foto: Robson Pires Filho (Gepa) / Divulgação
DR. PET: entrega voluntária evita penalidades previstas em lei
O que é a entrega voluntária de um animal silvestre e em quais situações ela é recomendada?
A entrega voluntária é um procedimento de entrega, por um cidadão, do animal silvestre que pode estar em posse ilegal, ou não. Ao entregar o animal (acondicionado em gaiolas, caixa de transporte ou caixa organizadora com respiradouros) no CETAS, ele não terá um ônus jurídico.
A entrega voluntária pode evitar penalidades?
Sim, o procedimento evita as penalidades previstas em lei. É importante ressaltar que o Cetas não recebe animais domésticos ou isentos de fiscalização, como galinhas, pombos, canário belga, porquinhos-da-índia e coelhos, por exemplo.
Em que situações o Inema considera que o melhor destino para um animal silvestre é o retorno à natureza?
O animal deverá apresentar o comportamento natural da espécie, com capacidade de luta e fuga, predação e forrageio, fisicamente saudável e sem sinais de doenças infecciosas e parasitárias. Recomendamos que a população não realize a soltura por conta própria.
Fonte: Paulo Bahiano, gestor do Cetas-Barreiras
Fonte: A Tarde
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