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Toffoli negou busca contra Vorcaro e recuou depois que PF apontou evidência de ‘novos ilícitos’

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Toffoli negou busca contra Vorcaro e recuou depois que PF apontou evidência de 'novos ilícitos'

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF) para realizar novas diligências na residência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nesta quarta-feira (14). Em sua decisão, Toffoli mencionou que havia negado parcialmente um pedido anterior, mas reconsiderou após novos argumentos apresentados pela PF e pela Procuradoria-Geral da República.

No despacho que autoriza as buscas, o ministro afirmou que mudou de opinião com base na nova argumentação, que indicava a evidência de novos ilícitos supostamente cometidos pelo investigado. A PF também destacou a necessidade de coletar elementos probatórios complementares. Toffoli declarou que, diante das ponderações da Autoridade Policial e da Procuradoria-Geral da República, reconsiderou parcialmente a decisão anterior, autorizando novas diligências na residência de Daniel Vorcaro.

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A PF fundamentou o novo pedido na atualização dos endereços e na argumentação de que as buscas anteriormente autorizadas tinham um escopo mais restrito. O ministro não especificou o motivo de sua rejeição inicial, mas afirmou que agora estava ciente do endereço correto das pessoas cujos domicílios seriam alvo das buscas já autorizadas.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apoiou a nova ação da PF, argumentando que a diligência de busca e apreensão realizada na Operação Compliance Zero não abrangeu o contexto mais amplo que a investigação busca examinar. Ele considerou necessário que o investigado fosse alvo de busca e apreensão no novo endereço para a coleta de documentos, registros e dispositivos de armazenamento de dados.

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Em outro despacho, Toffoli criticou a PF e exigiu explicações em 24 horas do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, por não cumprir os prazos determinados na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas a Vorcaro, proprietário do Banco Master. O ministro também determinou que todo o material apreendido fosse guardado no STF, ao invés da PF, como é habitual.

A Folha revelou que duas empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à rede utilizada pelo Banco Master em fraudes investigadas. O Arleen Fundo de Investimentos, até maio de 2025, possuía ações da Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR), que pertencia em parte à família de Toffoli, além de participação na DGEP Empreendimentos, incorporadora da mesma cidade que tinha um primo do ministro como sócio.

A conexão com o caso Master se estabelece por meio de uma cadeia de fundos. O Arleen foi um dos cotistas do RWM Plus, que também recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis identificados pelo Banco Central como parte da suposta rede de fraudes do banco de Vorcaro. O fundo Arleen não é alvo de investigação.

Todos os fundos da rede, incluindo o Arleen, têm como administradora a Reag, que também gerenciava fundos associados a Vorcaro e é investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A defesa de Vorcaro negou qualquer irregularidade ou envolvimento do Banco Master com fraudes, fundos ilícitos ou operações que beneficiassem terceiros. Afirmou que a reportagem estabelece conexões inexistentes e distorce fatos ao sugerir vínculos entre o banco, seus executivos e os investimentos mencionados.

A Folha procurou a assessoria do STF para questionar se Dias Toffoli tinha conhecimento dessas conexões e se considerava que as informações poderiam criar algum empecilho para a condução do caso, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Parentes do ministro também não se manifestaram, e a Reag não comentou o caso.


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