A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de se afastar da relatoria do caso Master foi tomada ao longo da quinta-feira, 12 de outubro. Na parte da manhã, Toffoli afirmou a colegas que essa possibilidade estava descartada, apesar das pressões que enfrentava. Ele chegou a mencionar a um interlocutor que sua saída seria interpretada como uma admissão de culpa.
No entanto, após conversas com auxiliares e outros ministros, o magistrado reconsiderou sua posição. Os principais argumentos apresentados indicavam que a situação estava gerando um desgaste coletivo para o tribunal e que a pressão sobre Toffoli aumentaria com o tempo. Essa discussão foi intensificada durante uma reunião convocada pelo presidente Edson Fachin, que reuniu os dez ministros do Supremo para discutir o relatório da Polícia Federal (PF) entregue ao tribunal. O documento contém informações sobre as relações entre Toffoli e o Banco Master, além de apontar indícios de crimes que podem ter sido cometidos pelo ministro.
O relatório da PF revela que Toffoli recebeu dinheiro da Maridt, empresa que vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O ministro explicou que essa transação ocorreu porque ele é sócio da Maridt, junto a outros familiares. Em nota divulgada na quinta-feira, Toffoli confirmou que faz parte do quadro societário da Maridt, que foi uma das donas do resort no Paraná.
Durante a reunião, Toffoli se defendeu de todos os questionamentos sobre sua relação com Vorcaro, apresentando documentos que corroboravam sua posição. Os ministros elaboraram uma declaração pública em nome do tribunal, afirmando que, apesar do afastamento de Toffoli do caso, não havia suspeição e que todos os atos praticados por ele como relator deveriam ser considerados válidos. Essa decisão foi vista como crucial para evitar anulações nas investigações e minimizar novos desgastes do STF perante a sociedade. Toffoli concordou com essa abordagem sem apresentar objeções.
O relatório da PF inclui mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, nas quais discutem pagamentos à Maridt. As mensagens mencionam o nome do magistrado e tratam das transferências, que seriam pagamentos pela compra do resort, com referências a pagamentos realizados em 2025, ano em que o negócio foi finalizado. Em nota, Toffoli afirmou que nunca recebeu qualquer valor de Vorcaro ou de Zettel.
Alguns ministros expressaram descontentamento com a atuação da PF nesse caso. Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, esse grupo acredita que a corporação conduziu uma investigação contra Toffoli sem a devida autorização, uma vez que apurações formais contra ministros do STF requerem aval prévio do tribunal. Embora a PF não tenha iniciado um inquérito formal, a percepção desses magistrados é que houve um avanço que ultrapassou a coleta de material que mencionasse Toffoli, tratando-o como um dos investigados. A conduta da PF será analisada pelo novo relator do caso, André Mendonça, que foi designado para a função.
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