O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, comunicou a parlamentares do Congresso que o presidente Donald Trump está considerando a compra da Groenlândia em vez de uma invasão militar. Autoridades americanas relataram que Trump pediu a seus assessores a elaboração de um plano atualizado para viabilizar a aquisição do território.
As declarações de Rubio ocorreram durante uma reunião informativa na segunda-feira, que contou com a presença de membros das principais comissões de Defesa e de Relações Exteriores da Câmara e do Senado. Embora o foco do encontro fosse a situação na Venezuela, os congressistas expressaram preocupação com as recentes declarações de Trump e de seus aliados sobre a Groenlândia, levando à inclusão do tema na discussão. Rubio não forneceu detalhes sobre como a compra poderia ser realizada. Trump, que tem um histórico como empresário do setor imobiliário em Nova York, já havia manifestado interesse pela Groenlândia durante seu primeiro mandato. Um de seus principais enviados diplomáticos, Steve Witkoff, também possui experiência no mercado imobiliário, o que reforça a abordagem do presidente.
A Groenlândia é um território autônomo sob a soberania da Dinamarca, que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O controle dinamarquês sobre a ilha começou no século XVIII, e a autonomia foi concedida ao longo do século XX. Nesta terça-feira, líderes de seis países da Otan se uniram à primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, para emitir uma declaração conjunta rechaçando as afirmações de Trump sobre a possibilidade de os Estados Unidos assumirem o controle da Groenlândia. O comunicado foi assinado por Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Espanha e Polônia, todos aliados históricos de Washington.
No texto, os países afirmaram que a segurança no Ártico deve ser construída coletivamente, em cooperação com os aliados da Otan, incluindo os Estados Unidos, e com base nos princípios da Carta das Nações Unidas, que incluem soberania, integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras. A declaração enfatizou que a Groenlândia pertence ao seu povo e que cabe exclusivamente à Dinamarca e à Groenlândia decidir sobre assuntos relacionados ao território.
Apesar da reação internacional, a Casa Branca não descartou o uso da força. A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que Trump considera a aquisição da Groenlândia uma prioridade de segurança nacional para os Estados Unidos, especialmente em face da presença estratégica de potências rivais na região do Ártico. Segundo ela, o governo está avaliando diferentes opções para alcançar esse objetivo, e o uso das Forças Armadas permanece entre as alternativas disponíveis.
As declarações de Trump geraram críticas dentro do Congresso americano. Na noite de terça-feira, a senadora democrata Jeanne Shaheen, de New Hampshire, e o senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, divulgaram uma nota conjunta defendendo o respeito aos aliados. Ambos lideram o grupo de observadores da Otan no Senado. Os parlamentares ressaltaram que, quando a Dinamarca e a Groenlândia afirmam claramente que o território não está à venda, os Estados Unidos devem cumprir suas obrigações internacionais e respeitar a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca. Eles alertaram que qualquer sugestão de coerção ou pressão contra um aliado da Otan enfraquece os princípios de autodeterminação que sustentam a aliança.
No domingo, Trump comentou a jornalistas, a bordo do avião presidencial, que a Groenlândia estaria cercada por navios russos e chineses. Especialistas, no entanto, indicam que, embora Rússia e China atuem na região do Ártico, a ilha não está cercada por embarcações desses países. Atualmente, os Estados Unidos mantêm uma base militar em território groenlandês, que foi visitada no ano passado pelo vice-presidente JD Vance e sua esposa, Usha.
Além do aspecto estratégico, Trump também demonstra interesse na Groenlândia por seu potencial em minerais críticos, considerados essenciais para setores como tecnologia e defesa. A mais recente Estratégia de Segurança Nacional de sua administração afirma que o domínio do hemisfério ocidental é uma prioridade central da política externa americana. Esse posicionamento ganhou destaque em meio à escalada de tensões na América Latina, especialmente após a campanha de pressão militar contra a Venezuela e a captura, no último fim de semana, do líder venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante uma operação militar dos Estados Unidos. Trump também havia declarado, no início do ano passado, que pretendia adquirir o Canadá, o que gerou forte repercussão internacional.
Com informações do The New York Times.
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