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Uma descoberta chave: foi encontrado nos cérebros de focas e leões-marinhos uma pista que pode revelar como a linguagem começou a evoluir

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Uma descoberta chave: foi encontrado nos cérebros de focas e leões-marinhos uma pista que pode revelar como a linguagem começou a evoluir

Cientistas descobriram que a habilidade humana de falar pode ter origens no fundo do oceano, conforme um estudo publicado na revista Science. A pesquisa revela que a evolução da linguagem humana foi influenciada por adaptações de mamíferos marinhos, como focas e leões-marinhos, que desenvolveram um controle vocal voluntário. Esse controle é sustentado por mecanismos neurais que compartilham semelhanças com os dos seres humanos. A necessidade de controlar a respiração durante mergulhos prolongados levou à formação de circuitos cerebrais mais robustos, permitindo um controle consciente sobre os músculos da laringe, algo raro entre os animais.

O ato de mergulhar exige uma coordenação precisa entre o sistema respiratório e a laringe, evitando a entrada de água nos pulmões. Para mamíferos que retornaram ao mar, essa habilidade evoluiu de um reflexo para um monitoramento cortical ativo. Ao dominar a capacidade de prender o fôlego e liberar ar sob pressão, esses animais desenvolveram a base necessária para a modulação sonora. A pesquisa destaca a coordenação laringal, o controle do fluxo pulmonar, a plasticidade neural e a capacidade de imitar sons como elementos fundamentais dessa transição biológica.

As focas, ao contrário de muitos primatas terrestres que possuem vocalizações instintivas, têm a capacidade de aprender novos sons. Essa habilidade sugere que a fala humana não surgiu de forma isolada, mas sim de adaptações motoras que já existiam em outros contextos de sobrevivência. O estudo também revelou que o córtex motor laringal está diretamente conectado aos neurônios que controlam a expiração, permitindo a modulação do ar para produzir sons. Em contraste, em animais como cães ou chimpanzés, essa conexão é indireta, passando por centros emocionais do cérebro, o que limita a fala consciente.

Essas descobertas reconfiguram a compreensão da evolução das capacidades cognitivas ligadas à comunicação, mostrando que a natureza pode desenvolver soluções motoras semelhantes em ambientes distintos, como o oceano e as savanas onde os ancestrais humanos evoluíram. O próximo desafio para a ciência é mapear como esses circuitos cerebrais se expandiram para formar estruturas mais complexas, como gramática e sintaxe. Essa pesquisa oferece novas perspectivas sobre a origem da voz e da consciência comunicativa humana.


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