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USP oferece R$ 31 de aumento em bolsas, e greve de estudantes segue sem acordo

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USP oferece R$ 31 de aumento em bolsas, e greve de estudantes segue sem acordo

A greve dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) deve continuar pelo menos até a próxima semana. Em uma negociação realizada na quinta-feira, 30, a reitoria e os alunos não chegaram a um consenso. Uma nova reunião foi agendada, mas ainda não há data definida.

O principal ponto de discórdia foi o aumento no valor das bolsas do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Pafpe). A reitoria propôs um reajuste anual baseado na inflação, utilizando o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), que mede a alta de preços na cidade de São Paulo. Nos últimos 12 meses, o IPC-Fipe registrou uma variação acumulada de 3,5%, o que resultaria em um aumento de R$ 31 no auxílio integral, que atualmente é de R$ 885. Os estudantes, no entanto, reivindicam que o valor se aproxime do salário mínimo paulista, que é de R$ 1.804.

O Pafpe integral, criado em 2022, inicialmente repassava R$ 800 aos graduandos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Desde então, o programa passou por dois reajustes, sendo o primeiro de 6% e o segundo de 4%. Na terça-feira, 28, a USP também apresentou sugestões relacionadas aos restaurantes universitários, que geram insatisfação entre os alunos. As propostas incluíram a formação de grupos para avaliar a qualidade dos serviços, a contratação de novos funcionários, a oferta de três refeições durante a semana e a implementação de café da manhã e almoço aos sábados.

Além disso, foram sugeridos grupos de trabalho com ampla participação discente. Um deles discutirá a avaliação de cotas para trans e indígenas no vestibular, uma demanda antiga do movimento estudantil. Outro grupo abordará o uso de espaços pelos centros acadêmicos. Uma minuta que regulamentava esse tema foi cancelada pela reitoria após críticas. O texto previa obrigações como prestação de contas, critérios de transparência e regras para contratação de serviços, além de definir que a autorização para uso de espaços teria caráter precário, podendo ser revogada pela universidade mediante justificativa. Esse assunto continuará a ser debatido, pois a USP considera necessário criar normas para garantir segurança jurídica.

A greve dos estudantes se espalhou por todas as 43 escolas, faculdades e institutos da USP, tanto na capital quanto no interior. No entanto, isso não significa que todos os mais de 180 cursos estejam paralisados. A reportagem contabilizou ao menos 110 cursos paralisados, o que representa cerca de 60% do total. O movimento teve início em resposta a um bônus para professores, denominado Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), que foi aprovado pelo Conselho Universitário em 31 de março. Essa medida criou um pagamento adicional de R$ 4.500 para docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. O custo anual dessa gratificação será de R$ 238,44 milhões.

A greve dos estudantes também busca obter concessões da gestão de Aluisio Segurado. Em um comunicado emitido na quarta-feira, 22, a Pró-Reitoria de Graduação da USP informou que não haverá alterações no calendário acadêmico em decorrência da greve. O texto afirma que não estão previstas nem autorizadas mudanças no período de aulas, nas interações de matrícula, nos prazos para lançamento de notas e frequência ou no período de recuperação. Além disso, não está autorizada a migração de atividades presenciais para o formato remoto, nem a realização de disciplinas por meio de gravações.


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