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Veja os elos de ministros do STF e seus parentes com caso do Banco Master

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Veja os elos de ministros do STF e seus parentes com caso do Banco Master

Os vínculos entre ministros do STF e o Banco Master têm influenciado a condução do caso na corte. As relações pessoais e profissionais de Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira, com membros do tribunal e seus familiares levantaram suspeitas, resultando na troca da relatoria do processo. O escândalo financeiro, que levou à liquidação do banco em novembro de 2025, envolve a oferta de investimentos com rendimentos superiores aos do mercado. O esquema visava inflar os ativos da instituição, utilizando mecanismos como a emissão de títulos falsos.

O processo está em tramitação no STF após uma decisão do ministro Dias Toffoli, que foi o relator inicial do caso. A mudança ocorreu devido a uma negociação imobiliária entre Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que possui foro privilegiado.

Alexandre de Moraes é mencionado em mensagens vazadas do celular de Vorcaro. O ministro e o dono do Master teriam conversado no dia da primeira prisão do ex-banqueiro, em 17 de novembro de 2025. Vorcaro questionou se Moraes tinha "alguma novidade" e se conseguiu "bloquear". O ministro respondeu com mensagens convertidas em imagens de visualização única, mas nega a comunicação e classifica as alegações como "ilação mentirosa" contra o STF. Além disso, um contrato de R$ 129 milhões entre o Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, também é alvo de investigação. A Folha de S.Paulo revelou que o casal viajou em jatos executivos de empresas ligadas a Vorcaro entre maio e outubro de 2025.

O fundo de investimento Arleen adquiriu parte das cotas da Maridt Participações S.A. no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (SC). O Arleen era administrado pela financeira Reag, que está sob investigação na operação Carbono Oculto por suspeitas de envolvimento com o PCC. A conexão com o Master se dá pela utilização de uma estrutura para inflar os ativos do banco. As ações do Arleen pertenciam ao fundo Leal, que é de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

O Banco Master, sob a presidência de Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central após a constatação de problemas de liquidez. A fraude é estimada em R$ 12 bilhões. O banco oferecia rendimentos superiores aos do mercado, enquanto os valores captados eram direcionados a investimentos de baixo retorno. O esquema dependia da entrada constante de recursos e incluía a emissão de títulos sem lastro e a manipulação dos ativos da instituição, que estão sendo investigados pela Polícia Federal. As relações do Master com instituições financeiras públicas, como a tentativa de venda para o BRB e o uso de dinheiro de fundos de pensão, também estão sendo analisadas.

A empresa de consultoria tributária Consult recebeu R$ 6,6 milhões do Master entre agosto de 2024 e julho de 2025. Desses, R$ 281,6 mil foram repassados a Kevin de Carvalho Marques, que é sócio do filho do fundador da Consult em outro empreendimento. Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar em um voo internacional. Ele foi solto em 29 de novembro, mas preso novamente em março de 2026. O ex-banqueiro firmou um acordo de colaboração premiada e deve fazer delação.

Dias Toffoli, ministro do STF e sócio da Maridt, foi o primeiro relator do caso no Supremo. Sua atuação gerou suspeitas após decisões consideradas incomuns, como o reconhecimento da competência do STF para o caso e a convocação de acareação com um diretor do Banco Central. Toffoli voltou atrás em algumas decisões e criticou publicamente o trabalho da Polícia Federal. Ele se afastou da relatoria após a PF enviar um relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, que detalhava transferências financeiras entre a empresa de sua família e os fundos ligados ao Master. A decisão de afastá-lo foi tomada em uma reunião secreta entre os ministros.

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e ex-diretor do Master, é apontado como o principal operador financeiro do ex-banqueiro. Ele aparece em mensagens discutindo pagamentos à empresa dos irmãos de Toffoli e era o principal acionista do fundo que detinha o Arleen. Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, recebeu 11 parcelas de R$ 25 mil da Consult, totalizando R$ 281,6 mil. Kevin é sócio do filho do fundador da Consult em uma empresa chamada IPGT, que compartilha o mesmo endereço de e-mail.

Antes da designação de Toffoli, a defesa de Vorcaro solicitou que Kassio Nunes Marques fosse escolhido como relator, argumentando uma possível relação do caso Master com a Operação Overclean, que ele relatou. A Maridt, empresa de Toffoli, possui participações no resort Tayayá. O nome é um acrônimo que combina "Marília", cidade natal da família, e as iniciais de Dias Toffoli. Por ser uma sociedade anônima, o nome do ministro não constava publicamente no quadro societário. Toffoli admitiu sua participação na empresa após a divulgação do relatório da PF.

Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, é sócia de um escritório que tinha um contrato de R$ 129 milhões com o Master. Os repasses eram mensais, no valor de R$ 3,6 milhões, e deveriam durar cerca de três anos. Após a divulgação das mensagens entre Moraes e Vorcaro, Viviane se manifestou sobre o contrato, afirmando que seu escritório realizou 94 reuniões de trabalho, produziu 36 pareceres e mobilizou 15 advogados entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.


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