Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que as recentes revelações sobre a atuação do PCC no mercado formal brasileiro, especialmente no setor de combustíveis, aumentam o risco para agentes financeiros nacionais. Isso ocorre após a designação, pelos Estados Unidos, dessas facções como terroristas.
A Folha ouviu especialistas que estudam os impactos da decisão de classificar o PCC e o Comando Vermelho como terroristas, anunciada na quinta-feira (28) por membros do governo Donald Trump. Um dos principais receios é que empresas estrangeiras deixem de fazer negócios com companhias brasileiras devido ao excesso de cautela, conhecido como overcompliance.
Desde que a possibilidade de mudança na classificação começou a ser discutida, há alguns meses, empresas brasileiras intensificaram o contato com o governo para entender os possíveis impactos. Esses diálogos se tornaram mais frequentes após o anúncio da nova classificação.
A Operação Carbono Oculto, realizada pelo Ministério Público de São Paulo em parceria com a Receita Federal, já conta com duas fases e revelou vínculos entre o PCC e a cadeia de combustíveis, envolvendo postos de gasolina, fornecedores e distribuidoras. Além disso, empresas do sistema financeiro estão sendo investigadas por movimentações financeiras suspeitas.
O temor inicial é que os vínculos expostos pelas operações brasileiras possam alertar investidores estrangeiros sobre a situação no Brasil. Se qualquer ligação, direta ou indireta, entre um investidor e uma empresa associada a uma das entidades sancionadas for identificada, isso pode resultar em sanções por parte dos Estados Unidos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (29) que a decisão americana pode trazer prejuízos à economia brasileira e afetar o investimento estrangeiro direto. A Secom (Secretaria de Comunicação) divulgou uma nota, sem fornecer detalhes, indicando que o sistema financeiro brasileiro e o Pix poderiam ser impactados pela nova decisão.
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