O som do São João é tradicionalmente associado à sanfona, à zabumba e ao triângulo, mas, ao longo dos anos, o forró perdeu espaço nas contratações para os festejos juninos na Bahia. Em 2026, os cachês mais altos continuam a ser de artistas de outros gêneros, como a dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano, que receberá R$ 2.715.000,00 por três shows no estado, com um valor de R$ 905 mil por apresentação. Esse montante é três vezes maior que o cachê de Adelmário Coelho, que tem cinco shows registrados no Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios da Bahia.
Um levantamento realizado pelo Bahia Notícias, com dados do Ministério Público da Bahia, revelou que seis das dez atrações com os maiores cachês não tocam forró. O sertanejo domina a lista, enquanto o pagode é representado apenas por Léo Santana, que receberá R$ 1.300.000,00 por dois shows. O valor de Léo Santana é o dobro do cachê de Flávio José, um renomado artista do forró, que tem um show listado por R$ 350 mil.
Além de Zé Neto e Cristiano, outros artistas com altos cachês incluem Maiara e Maraisa, Matheus e Kauan, Pablo, Thiaguinho, Léo Santana, Murilo Huff, Eduardo Costa, Amado Batista e César Menotti e Fabiano. Dentre essas contratações, apenas o show de Léo Santana em Jussari foi realizado com verba estadual, enquanto as demais foram contratadas com recursos municipais.
Comparando os valores de 2025 e 2026, Eduardo Costa teve o maior aumento de cachê, passando de R$ 490 mil para R$ 600 mil por apresentação. Em 2025, a lista de artistas incluía também nomes do axé, como Ivete Sangalo e Bell Marques, com cachês de R$ 750 mil.
Neste ano, o Ministério Público da Bahia e artistas de destaque firmaram um acordo que resultou na redução voluntária de cachês em cerca de 180 contratos, gerando uma economia estimada de R$ 8,8 milhões aos cofres públicos. O presidente da União dos Municípios da Bahia, Wilson Cardoso, destacou que essa medida impactou positivamente a contratação de artistas do forró, que deveria ser o gênero predominante nas festividades.
Até o fechamento da matéria, o Painel de Transparência dos Festejos Juninos registrava R$ 124 milhões em gastos com a contratação de artistas para o São João deste ano. O Governo da Bahia afirmou que a prioridade para 2026 é preservar a essência da festa, focando no forró e em atrações que valorizem a cultura nordestina. O secretário de Cultura, Bruno Monteiro, anunciou a reserva de pelo menos 25% dos investimentos para a contratação de forrozeiros e bandas de forró.
A discussão sobre a descaracterização do São João é antiga. O cantor Del Feliz enfatizou a importância do reconhecimento do forró como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, visando proteger o gênero e preservar a festa. Ele também ressaltou a necessidade de cumprir a Lei da Zabumba, que estabelece percentuais obrigatórios para a contratação de artistas em eventos públicos na Bahia. Del Feliz defendeu que as festas culturais mantenham sua essência para garantir sua viabilidade econômica e beleza, evitando que se tornem meros apelos comerciais.
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

