Os dez advogados detidos durante a Operação Sintonia de Gravata desempenhavam funções distintas em facções criminosas na Bahia, como o Comando Vermelho (CV), Bonde do Maluco (BDM) e o Terceiro Comando Puro (TCP). A investigação revelou que esses profissionais usavam suas prerrogativas de forma indevida, atuando como mensageiros e facilitando a comunicação entre líderes encarcerados em unidades de segurança máxima e membros fora do sistema prisional.
De acordo com uma denúncia obtida pelo Bahia Notícias, os advogados presos apresentavam condutas que iam além da assistência jurídica, envolvendo-se em atividades como gestão financeira, logística de armamentos e tráfico de drogas. As funções variavam desde a contabilidade de facções até o transporte de entorpecentes.
Os advogados também desempenhavam papéis de gestão entre os chefes do tráfico que estavam presos, atuando como representantes deles, especialmente aqueles em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), e os membros que permaneciam em liberdade. O documento acessado pela reportagem detalhou as funções específicas de cada um dos advogados nas organizações criminosas.
Maria Mariana Batista de Oliveira, ligada ao Comando Vermelho, tornou-se intermediária após a prisão de outro advogado. Ela se encarregou de levar recados a um traficante sobre a distribuição de cocaína e mediou conflitos entre membros da facção. Fernanda Oliveira Borges, do Terceiro Comando Puro, foi flagrada retirando cartas de suas roupas para um interno e foi acusada de transmitir ordens para cobranças de dívidas, além de ter recebido instruções para adquirir armamentos.
Joanderson Almeida dos Santos, do Bonde do Maluco, atuava como assessor contábil, apresentando extratos financeiros da venda de drogas e coordenando a compra de veículos e imóveis. Izabela da Silva de Oliveira, também do BDM, acumulava funções de mensageira e operadora financeira, realizando transferências e transmitindo informações sobre o tráfico em Salvador.
Tamires Félix Alves da Silva, igualmente do BDM, atuava como interlocutora entre diferentes núcleos da organização criminosa, lidando com resumos financeiros e negociações de dívidas. Ícaro Cardoso Viana utilizava sua credencial para transmitir ordens de um preso, gerenciando a prestação de contas do tráfico.
Raíza Araújo da Silva, do Comando Vermelho, prestava apoio a uma liderança de alto escalão, colhendo informações sobre o sistema prisional e servindo como canal para solicitações de benefícios. Luã Santos da Costa utilizava suas prerrogativas para levar instruções sobre preços de remessas de drogas e gerenciar armamentos. Luan Mascarenhas de Souza, também do CV, realizava atendimentos jurídicos falsos, entregando cartas e anotando comandos sobre armamentos e veículos para a facção.
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