N/A

Anvisa acelera análise de 20 canetas emagrecedoras após pedido do Ministério da Saúde

59 views
Anvisa acelera análise de 20 canetas emagrecedoras após pedido do Ministério da Saúde
Descrição da imagem
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decidiu acelerar a análise do registro de 20 canetas emagrecedoras que contêm liraglutida e semaglutida, princípios ativos de produtos como Saxenda e Ozempic. A medida foi solicitada pelo Ministério da Saúde e visa antecipar a introdução de novos produtos no mercado de emagrecedores, que é bilionário. No entanto, a decisão gerou questionamentos na indústria, que argumenta que a ação quebra a ordem das análises e prioriza esses medicamentos em detrimento de outras terapias que aguardam aprovação.
A Anvisa planeja se manifestar em 2025 sobre os registros das canetas das farmacêuticas EMS, Megalabs e Momenta. A resposta da agência pode não ser a autorização para lançamento, pois em alguns casos são exigidos dados adicionais ou o processo pode ser rejeitado. Além dessas, a Anvisa também dará prioridade à avaliação dos emagrecedores de empresas como Biomm, Cristália, Libbs, Aspen, Aché, Althaia, Farma Vision, Ranbaxy, Cosmed, Brainfarma, Dr. Reddy’s, Sun e Cipla, sendo que algumas têm múltiplos pedidos em análise.
A agência apresentou à Folha, em conformidade com a Lei de Acesso à Informação, uma lista de produtos que tiveram sua análise antecipada, bem como a previsão de quando será dada a resposta. A expectativa é que a Anvisa se manifeste sobre outras 14 canetas em 2026 e mais 3 em 2027. A decisão de acelerar as avaliações se deu em resposta a um pedido direto do Ministério da Saúde, que busca promover a fabricação nacional e ampliar o acesso a tratamentos, além de reduzir a dependência tecnológica do país.
O governo também afirma que há planos para incluir o tratamento no SUS. Nas primeiras discussões, a incorporação foi barrada devido ao alto custo. Uma das iniciativas para levar o produto à rede pública é a parceria entre a EMS e a Fiocruz, que visa transferir a tecnologia de produção das canetas para a fundação. Dias antes de formalizar o pedido à Anvisa, o ministro Padilha divulgou os emagrecedores da EMS, destacando que são os primeiros de fabricação nacional contendo liraglutida, e comentou que esses produtos reduzem custos para a população.
Os emagrecedores são medicamentos controlados, e sua publicidade, entrega de amostras grátis e outras ações de marketing são proibidas. O aumento do uso destes medicamentos para fins estéticos gera preocupação entre associações e sociedades médicas. Em agosto, a Anvisa mencionou os argumentos do ministério e uma análise interna sobre o risco de falsificação e escassez de produtos devido à concentração de mercado, lançando um edital que permite às empresas solicitar prioridade na avaliação de seus fármacos. A agência decidiu priorizar a análise de medicamentos fabricados no Brasil.
No entanto, a chegada de novas canetas não garante uma queda significativa nos preços, pois elas não estão sendo avaliadas como genéricos, categoria que normalmente implica custos mais baixos. O plano de acelerar o lançamento dos medicamentos recebeu críticas de entidades como a Interfarma e o Sindusfarma, que alertaram para riscos de insegurança jurídica e possíveis atrasos na avaliação de outras terapias importantes. A PróGenéricos, por sua vez, apontou um aumento significativo na demanda pelos fármacos e justificou a priorização como motivada por “razões excepcionais de interesse público”.
Tanto a Anvisa quanto o ministério negam que estejam favorecendo um setor ou empresa específica. A pasta, sob a liderança de Padilha, afirma que suas ações visam “ampliar a soberania e a autonomia do Brasil” na produção de tecnologias em saúde. As canetas são análogas do GLP-1, um hormônio intestinal que regula os níveis de glicose no sangue e a saciedade. As principais marcas no mercado incluem semaglutida (Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk). A tirzepatida (Mounjaro, da Lilly) não foi considerada na discussão sobre a aceleração dos registros, pois sua patente no Brasil expira apenas em 2036.
A Novo Nordisk está tentando prorrogar a validade da patente da semaglutida, que expira em março de 2026, enquanto outras empresas se preparam para lançar produtos concorrentes. A farmacêutica dinamarquesa também tentou contestar o edital da Anvisa por meio de ação judicial, mas em outubro, um juiz federal negou o pedido de liminar. A EMS foi a primeira empresa nacional a obter a aprovação da Anvisa para comercializar produtos à base de liraglutida e aguarda a queda da patente e o registro da agência para lançar sua caneta de semaglutida. A empresa se destaca no mercado nacional por ter inaugurado a primeira fábrica no país dedicada à produção das versões sintéticas dos emagrecedores.

Descubra mais sobre Euclides Diário

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Rolar para cima