A medida foi adotada após a confirmação de casos de circovírus entre as ararinhas-azuis e o descumprimento de medidas de biossegurança no criadouro
Após decisão judicial, 69 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs que testaram negativo para circovírus do criadouro em que se encontravam, em Curuçá, na Bahia, foram transferidas de forma emergencial para o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UFSV) — instituição especializada em manejo de fauna, localizada em Petrolina (PE). A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) é uma espécie endêmica da Caatinga brasileira já extinta na natureza.
A transferência ocorreu nessa quarta-feira (27), por meio de uma força-tarefa coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A operação em conjunto com a Polícia Federal, contou com apoio da Polícia Militar, do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) da Bahia, além de médicos veterinários do ICMBio e do Cemafauna e de peritos veterinários da Polícia Federal.
A medida foi adotada após a confirmação de casos de circovírus entre as ararinhas-azuis e o descumprimento de medidas de biossegurança no criadouro, parceiro da organização alemã Associação para a Conservação dos Papagaios Ameaçados (ACTP, na sigla em inglês). Dentre as normas descumpridas estavam medidas básicas de higiene, como limpeza e a desinfecção diária das instalações e comedouros (encontrados sujos, com acúmulo de fezes ressecadas) e a não utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) pelos funcionários – reiteradamente flagrados utilizando chinelos, bermuda e camiseta durante o manejo dos animais, que são extremamente raros.
Dos 103 indivíduos que estavam no criadouro, 34 testaram positivo para o vírus. As 69 aves que apresentaram resultado negativo foram retiradas do local e permanecerão por tempo indeterminado no Cemafauna, onde receberão os cuidados adequados, serão submetidas a novo ciclo de testagem e ficarão em quarentena para avaliação de seu estado de saúde.
O circovírus dos psitacídeos é uma doença originária da Austrália e considerada uma das mais graves entre aves como araras, papagaios e periquitos. O circovírus afeta principalmente as penas e o bico dos animais. Entre os sintomas estão alterações na coloração das penas, falhas no empenamento e deformidades no bico. A doença não tem cura e mata a ave na maior parte dos casos. Apesar disso, o vírus não infecta humanos nem aves de produção.
A separação entre aves positivas e negativas para o circovírus é fundamental para proteger os animais saudáveis e garantir segurança ao programa de reintrodução da ararinha-azul na natureza. A medida é considerada a forma mais eficiente de garantir a saúde e o bem-estar das ararinhas-azuis, bem como a viabilidade de longo prazo do programa de reintrodução de uma das espécies mais ameaçadas do planeta. No ICMBio, a Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootia (Coece/CGPeq/Dibio) coordena os trabalhos no tema.
Entenda o caso
No início do segundo semestre de 2025, quando surgiu a suspeita da presença do vírus, o ICMBio determinou o recolhimento dos animais para que fossem submetidos a testes. Era a primeira vez que o circovírus estava sendo identificado em animais de vida livre no Brasil. Na ocasião, o ICMBio considerou o problema grave, uma vez que não há cura para a Doença do Bico e das Penas, causada pelo agente viral.
A doença tem como sintomas danos ao bico, penas e unhas, além de comprometer o sistema imunológico, provocando a morte dos animais. A determinação para o recolhimento dos animais que vivem na Área de Proteção Ambiental (APA) da Ararinha Azul e do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) da Ararinha Azul foi tomada para o controle da doença no menor tempo possível.
“No contexto da emergência de enfrentamento ao circovírus, o recolhimento das ararinhas-azuis de vida livre, conforme determinado pelo ICMBio, deve ser realizado com urgência. Caso esta ação não ocorra com agilidade, a questão será tratada de acordo com os dispositivos legais que respaldam o Instituto”, disse o ICMBio na ocasião.
Em novembro do ano passado, 11 ararinhas-azuis que foram recapturadas no início do mesmo mês por suspeita de infecção por circovírus testaram positivo para o vírus, que é considerado letal. A informação foi divulgada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. As ararinhas azuis são originárias do sertão baiano. Elas foram consideradas “criticamente em perigo ou provavelmente extintas”, conforme definição do órgão de preservação ambiental. A enfermidade não tem cura e mata a ave na maior parte dos casos.
Fonte: Correio24horas
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