O cenário cultural brasileiro perdeu uma de suas figuras mais influentes nesta terça-feira (15). A historiadora, curadora e crítica de arte Aracy Amaral faleceu aos 96 anos, deixando um legado indelével como a principal especialista na obra de Tarsila do Amaral e uma pioneira na ocupação de cargos de liderança em instituições artísticas nacionais.
O anúncio do falecimento foi confirmado por amigos e familiares. Embora a causa da morte não tenha sido divulgada, o rito de despedida foi marcado para o cemitério Parque Morumby, em São Paulo, onde ocorre o velório seguido do sepultamento. A trajetória de Amaral é marcada por um rigor acadêmico que ajudou a consolidar a compreensão do modernismo no país.
Contribuições fundamentais ao estudo do modernismo
A carreira de Aracy Amaral foi pautada por pesquisas que se tornaram pilares da historiografia da arte brasileira. Em 1969, ao concluir seu mestrado na Universidade de São Paulo, ela publicou o influente livro “As Artes Plásticas na Semana de 22”, obra que redefiniu o entendimento sobre o movimento modernista para as gerações seguintes.
Sua dedicação à obra de Tarsila do Amaral foi um dos pontos altos de sua carreira. Em 1975, lançou “Tarsila: Sua Obra e Seu Tempo”, e, em 2008, supervisionou a criação do catálogo raisonné da artista, um documento exaustivo que é considerado a compilação definitiva da produção da modernista.
Gestão e renovação em museus brasileiros
Além da pesquisa, Amaral foi uma gestora visionária. Entre 1975 e 1979, esteve à frente da direção técnica da Pinacoteca do Estado de São Paulo, onde promoveu uma renovação estrutural e ampliou o intercâmbio cultural com outros países da América Latina. Em 1982, assumiu a mesma função no Museu de Arte Contemporânea (MAC USP).
Sua atuação não se limitou às salas de museus. Como jornalista e crítica, colaborou com veículos de imprensa de renome, incluindo o O Estado de S. Paulo e a revista norte-americana Arts Magazine. Nos anos 1970, chegou a levar o debate sobre artes plásticas para o rádio, através de um programa diário na Jovem Pan.
Legado em exposições e curadorias
O impacto de suas pesquisas pôde ser visto em dezenas de exposições de grande porte. Em 2015, por exemplo, foi a responsável pela curadoria do 34º Panorama da Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna (MAM), intitulado “Da Pedra da Terra Daqui”, que estabeleceu um diálogo entre a arte contemporânea e vestígios pré-históricos.
Autora de obras essenciais como “Arte e Meio Artístico: Entre a Feijoada e o X-Burger”, ela deixa um filho, Andre Toral, fruto de seu relacionamento com o artista chileno Mario Toral, além de duas netas. Sua obra permanece como referência obrigatória para pesquisadores e entusiastas da cultura nacional.
Fonte: bahianoticias.com.br
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