Santiago Caputo, principal assessor do presidente argentino Javier Milei, teria atuado diretamente na organização da saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil com destino aos Estados Unidos. A informação foi veiculada pelo jornal argentino Clarín, detalhando que a operação envolveu articulação de inteligência e acompanhamento diplomático internacional.
Na noite de terça-feira (27/10), o assessor esteve em Puerto Iguazú, na Argentina, ponto de partida do voo particular utilizado pelo senador e sua família. Segundo a publicação, a movimentação contou com suporte da Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE) e da Direção Nacional de Migrações do país vizinho.
Articulação logística e monitoramento internacional
Fontes ouvidas pelo periódico indicam que a operação foi estruturada desde a contratação de um voo da companhia argentina Baires Fly por empresas associadas à Embaixada dos Estados Unidos. O assessor teria saído de Buenos Aires em um voo comercial para supervisionar a execução do plano no local.
O objetivo principal da operação de segurança e monitoramento era impedir o vazamento de registros visuais ou gravações da chegada e do embarque da família na região de fronteira. Pouco antes da operação, o representante do governo argentino publicou em uma rede social uma imagem alusiva ao filme O Grande Truque.
Travessia pela fronteira e chegada aos Estados Unidos
Registros oficiais da Direção Nacional de Migrações da Argentina apontam que o parlamentar cruzou a fronteira terrestre pela Ponte Internacional Tancredo Neves por volta das 22h50. A família estava composta pela mulher Fernanda Bolsonaro e pelas filhas, que seguiram os trâmites migratórios legais no trecho fronteiriço.
Cerca de quarenta minutos após a entrada no território argentino, o grupo embarcou na aeronave privada. O plano de voo inicialmente registrado indicava como destino a cidade de Guayaquil, no Equador, antes da aterrissagem final em solo norte-americano na manhã de quarta-feira (28/10).
Contexto judicial e repercussão política
A viagem ocorreu em desrespeito a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expedida na segunda-feira (26/10). O magistrado havia ordenado a entrega imediata dos passaportes do senador, que respondia a investigações sobre lavagem de dinheiro conduzidas pela Polícia Federal.
Após o desembarque, o parlamentar divulgou uma carta pública na qual inicialmente se autodeclarava presidente eleito, trecho que foi posteriormente alterado para a designação de líder do país. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia confirmado a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito nacional.
Fonte: metropoles.com
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