A Bahia registrou 4.163 casos de pessoas desaparecidas em 2025, conforme dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Esse número coloca o estado na sexta posição do ranking nacional de desaparecimentos, que totalizou 85.232 ocorrências em todo o Brasil no ano passado. O Sinesp compila informações principalmente das Secretarias de Segurança Pública dos estados e do Distrito Federal, com dados extraídos continuamente a partir de boletins de ocorrência.
Entretanto, os números da Polícia Civil da Bahia, que realiza a contagem através do Instituto de Segurança Pública, Estatística e Pesquisa Criminal (ISPE), apresentam uma discrepância. O ISPE contabilizou 730 desaparecimentos, um número inferior ao de 2024, que registrou 791 casos.
Em relação ao perfil dos desaparecidos, o Sinesp indica que mais de 64% dos casos envolvem homens, totalizando 2.680 ocorrências. As mulheres somam 1.382 casos, representando cerca de 33,20% do total, enquanto 101 casos não têm registro de gênero. Quanto à faixa etária, foram 3.094 registros de adultos e 980 de pessoas com idade entre 0 e 17 anos, com 89 ocorrências sem informações sobre a idade.
As ações de segurança pública voltadas para pessoas desaparecidas na Bahia são coordenadas pelo Departamento de Proteção à Pessoa (DPP), que está vinculado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em Salvador. No interior do estado, as Delegacias Territoriais são responsáveis pelos procedimentos.
A delegada Ana Cristina Carvalho, titular do DPP, explicou em entrevista ao Bahia Notícias os procedimentos de atuação das forças de segurança. Ela destacou que a triagem é fundamental na investigação de desaparecidos, enfatizando a importância do local do desaparecimento. Os casos ocorridos em Salvador são investigados pelo DPP, enquanto os do interior são tratados pelas delegacias locais.
Ana Cristina também mencionou que uma das principais frentes de atuação do DPP é a divulgação dos perfis dos desaparecidos, que ocorre mediante autorização das famílias. As imagens são compartilhadas nas redes sociais do departamento, sendo essenciais para as buscas. A delegada ressaltou que informações precisas são cruciais para evitar erros nas investigações, já que dados incorretos podem levar a buscas equivocadas.
Ela alertou sobre a importância de registrar um desaparecimento imediatamente, desmistificando a ideia de que é necessário esperar 24 horas. A delegada enfatizou que, em casos de desaparecimento, cada minuto conta, especialmente quando se trata de crianças ou pessoas vulneráveis.
O processo de registro de ocorrência é detalhista, buscando informações sobre a vida da pessoa desaparecida, como hábitos e características físicas. Isso é fundamental para a identificação em casos de infortúnios. Após o registro, a polícia cria "cards" de busca com as informações coletadas, utilizando reconhecimento facial para auxiliar nas investigações.
Ana Cristina destacou que, para públicos vulneráveis, o DPP utiliza ferramentas específicas, como a parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Meta, que permite a divulgação de alertas de desaparecimento de crianças e adolescentes nas redes sociais. A Bahia aderiu a essa iniciativa no ano passado.
Recentemente, um novo acordo entre o Ministério da Justiça e a Uber foi firmado para ampliar o projeto Amber Alert Brasil, permitindo que usuários e motoristas recebam alertas em casos de desaparecimento iminente. Além disso, o DPP e o Departamento de Polícia Técnica participaram de uma campanha nacional para incluir o DNA de familiares de desaparecidos em um banco de perfis genéticos, facilitando a identificação de corpos não identificados.
A delegada também abordou a importância da comunicação sobre a localização de pessoas desaparecidas. Ela pediu que familiares informem imediatamente quando uma pessoa for encontrada, pois isso impacta os números de desaparecidos e a eficácia das investigações. Ana Cristina ressaltou que a falta de comunicação pode resultar em registros duplicados e complicar o trabalho da polícia.
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