A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada recentemente, colocou o Banco Genial no centro de uma investigação sobre lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Segundo o Ministério Público de São Paulo, a instituição teria oferecido uma estrutura financeira para mascarar a origem de recursos utilizados por líderes de uma facção criminosa, o PCC, na aquisição de empresas e imóveis.
A apuração aponta que o banco teria mantido negócios mesmo após alertas internos de seu próprio departamento de compliance. Documentos anexados ao processo indicam que a instituição tinha conhecimento de que um dos clientes, Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, possuía histórico de sanções por fraude junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas optou por prosseguir com as transações.
Estrutura financeira sob suspeita de lavagem
Os investigadores detalham que o Banco Genial teria atuado após o rompimento do grupo criminoso com a gestora Reag. A estratégia envolvia o uso do fundo Radford, cujo cotista exclusivo era a Usina Itajobi, empresa ligada aos investigados. O banco teria utilizado o capital do fundo para conceder empréstimos milionários a empresas de fachada.
Essas empresas, criadas com capital social ínfimo, teriam sido utilizadas para a compra da distribuidora de combustíveis Terrana e do fundo Derby 44, que abrigava imóveis do grupo. O Ministério Público sustenta que o banco seria remunerado por meio de instrumentos contratuais dissimulados, desenhados para ocultar os reais proprietários dos ativos.
Envolvimento de executivos e falhas de governança
A investigação também mira a conduta de Humberto Arthur Tupinambá, ex-diretor e sócio da instituição. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra o executivo, sob a suspeita de que ele teria operado diretamente em favor de líderes da facção. Mensagens interceptadas sugerem negociações entre os executivos do banco e operadores do esquema criminoso.
Além disso, foram identificados repasses financeiros para empresas pertencentes a irmãos de Tupinambá, a AT Assessoria e a BT Assessoria. Os valores, que somam centenas de milhares de reais, teriam origem na Aster Petróleo, companhia vinculada ao grupo sob investigação.
Posicionamento e medidas adotadas pelo banco
Em nota oficial, o Banco Genial afirmou que colabora integralmente com as autoridades e que forneceu todas as informações e documentos solicitados pelo Ministério Público. A instituição declarou que realizou as comunicações necessárias ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e que atuou conforme as normas vigentes com base nas informações disponíveis na época.
Após a deflagração da operação, o banco informou a renúncia à administração do fundo Radford e a liquidação dos ativos envolvidos. Adicionalmente, a instituição comunicou o afastamento e posterior destituição do diretor citado, além da implementação de novas medidas de governança e a contratação de especialistas externos para revisar seus controles internos, conforme reportado pelo Metrópoles.
Fonte: metropoles.com
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