A recente divulgação da tabela da Copa do Mundo Feminina de 2027 pela Fifa trouxe um desapontamento geográfico para o torcedor nordestino. Apesar de o Brasil ser o país anfitrião e contar com três cidades-sede na região — Salvador, Recife e Fortaleza —, a programação oficial da primeira fase excluiu qualquer partida da Seleção Brasileira nestes locais. A equipe comandada por Arthur Elias fará seus três jogos iniciais no eixo Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
O histórico de apoio do Nordeste à Seleção Feminina
O descontentamento ganha força diante do histórico recente de engajamento do público nordestino. Em junho de 2024, a Arena Fonte Nova, em Salvador, recebeu 31.547 torcedores para o amistoso contra a Jamaica. Pouco antes, a Arena Pernambuco, em Recife, registrou um público de 33.272 pessoas para o mesmo confronto. Estes números foram, à época, os maiores da história da Seleção Feminina na região.
O ápice dessa conexão ocorreu em junho de 2026, quando o Castelão, em Fortaleza, foi palco de um recorde de público para amistosos da equipe nacional. Cerca de 55.744 pessoas compareceram ao duelo contra os Estados Unidos, superando todas as expectativas e consolidando o Nordeste como uma praça fundamental para a popularização da modalidade no país.
Logística versus o discurso de legado da Fifa
A Fifa justificou a escolha das sedes baseando-se em critérios de logística, redução de deslocamentos, preservação de gramados e audiência televisiva. Embora o Maracanã, o Morumbi (em São Paulo) e o Mané Garrincha possuam pesos simbólicos e institucionais, a decisão cria um distanciamento entre a Seleção e uma parcela significativa de sua base de fãs. O discurso de que o Mundial deixaria um legado de descentralização e diversidade parece entrar em conflito com a centralização dos jogos do Brasil no Sudeste e no Distrito Federal.
A presença nordestina dentro de campo
O paradoxo da ausência da Seleção no Nordeste torna-se ainda mais evidente ao observar a origem das atletas. A região é celeiro de talentos fundamentais para o futebol nacional, como Marta, natural de Dois Riachos (Alagoas), Ary Borges, de São Luís (Maranhão), e Rafaelle, nascida em Cipó (Bahia). A zagueira, inclusive, possui uma trajetória consolidada com mais de 100 partidas vestindo a camisa brasileira.
A realização de uma Copa do Mundo em casa representa uma oportunidade única de aproximação entre ídolos e torcedores. Ao ignorar o apelo das praças nordestinas na fase de grupos, a organização perde a chance de fortalecer o pertencimento regional e de impulsionar o crescimento do futebol feminino em locais onde a paixão pelo esporte já provou ser capaz de lotar estádios.
Para mais detalhes sobre a organização do torneio, acompanhe as atualizações oficiais no portal da Fifa.
Fonte: bahianoticias.com.br
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