Brasília vive uma semana de alta tensão política e econômica, com o foco dividido entre a crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) e a definição da política monetária nacional. Enquanto o mercado aguarda a decisão do Banco Central sobre a taxa Selic, o Judiciário se prepara para uma sessão extraordinária que pode definir o futuro de investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
O cenário político é marcado pela expectativa em torno da sessão plenária agendada para esta terça-feira (15). O presidente do STF, ministro Edson Fachin, convocou o encontro para deliberar sobre o destino de elementos reunidos pela Polícia Federal que apontam uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão, que será transmitida ao vivo pela TV Justiça, ocorre em meio a um desgaste institucional sem precedentes.
Sessão extraordinária e o impasse no Supremo
O plenário da Corte deve decidir se há fundamentos para a abertura de uma investigação interna contra Alexandre de Moraes. O caso ganhou tração após o ministro André Mendonça tornar públicas mensagens trocadas entre o magistrado e o banqueiro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) questiona a validade do relatório da Polícia Federal e solicita a sua nulidade.
A crise se aprofundou com a existência de duas frentes de apuração: uma sobre as conexões de Moraes e outra sobre a conduta de Mendonça na condução dos inquéritos. Edson Fachin assumiu a relatoria do caso contra Moraes, citando possível impedimento por relação com os envolvidos, conforme previsto no Código de Processo Civil. Existe a expectativa de que um pedido de vista possa adiar o desfecho da votação para o próximo ano.
Expectativa pela decisão do Banco Central
No campo econômico, a atenção está voltada para a “superquarta” (16), quando o Comitê de Política Econômica do Banco Central anunciará a nova taxa Selic. Atualmente em 14% ao ano, a taxa é alvo de expectativas de corte, impulsionadas pela deflação de 0,32% registrada no IPCA de agosto. Analistas de mercado projetam uma redução de 0,25 ponto percentual.
Além da decisão sobre os juros, o IBGE divulgará dados cruciais para a economia nacional. Nesta terça-feira (15), serão apresentados o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, referente a agosto, e a Pesquisa Mensal do Comércio, que trará um diagnóstico do setor no mês de julho.
Agenda do Executivo e paralisação legislativa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia a semana com foco em compromissos internos no Palácio do Planalto. Nesta segunda-feira (14), o chefe do Executivo sanciona a medida provisória 1359/2026, que destina R$ 30 bilhões para o financiamento de veículos novos, incluindo benefícios para motoristas de aplicativo, taxistas e profissionais de transporte escolar.
Enquanto isso, o Congresso Nacional permanece em ritmo reduzido devido ao recesso branco provocado pelo período eleitoral. Apesar da pressão de senadores como Carlos Viana e Eduardo Girão pela abertura de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não sinalizou a realização de sessões plenárias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Fonte: bahianoticias.com.br
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