O preço médio do diesel S-10 nos postos de combustíveis do Brasil registrou uma alta de 2,3% na última semana, alcançando a marca de R$ 7,13 por litro. Segundo dados divulgados pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) na sexta-feira (18), este é o maior patamar observado desde o final de maio, refletindo um cenário de instabilidade nas cotações globais de energia.
Este encarecimento ocorre em um momento estratégico para a economia nacional, coincidindo com o início do plantio de soja. O período é marcado por uma demanda elevada pelo combustível, essencial para o transporte de cargas e a operação de máquinas agrícolas em todo o território brasileiro.
Impacto dos conflitos globais no custo do petróleo
A escalada nos preços internos é um reflexo direto da volatilidade no mercado internacional de petróleo ao longo de setembro. O barril do tipo Brent, que serve como referência global, encerrou a sexta-feira cotado a US$ 104,87, um salto significativo em relação aos US$ 93 registrados no início do mês.
Analistas apontam que a tensão geopolítica é o principal motor dessa alta. A retomada de ataques mútuos entre Estados Unidos e Irã, somada ao aumento das atividades militares por parte de grupos aliados aos iranianos e aos desdobramentos contínuos da guerra entre Rússia e Ucrânia, tem pressionado as cadeias de suprimento e elevado o prêmio de risco sobre os derivados de petróleo.
Desafios na importação e riscos ao abastecimento
A disparidade entre os valores praticados pela Petrobras e as cotações internacionais atingiu níveis recordes, gerando uma defasagem que preocupa o setor. Executivos de empresas de distribuição e importação relataram à Reuters que a situação tem levado ao adiamento de decisões de compra, o que pode resultar em restrições localizadas de oferta e distorções regionais no Brasil.
Embora o governo federal mantenha programas de subvenção para amortizar o impacto das variações, cerca de 30% do diesel consumido no país é importado. Nem todos os agentes do mercado aderiram às iniciativas governamentais, o que torna o abastecimento vulnerável a oscilações externas.
Posicionamento da rede de revendedores
A Fecombustíveis, entidade que representa cerca de 40 mil postos em todo o país, manifestou preocupação com a instabilidade atual. O sindicato reforçou que a formação do preço final ao consumidor é um processo complexo, que não deve ser analisado apenas pelo valor exibido nas bombas de combustível.
Segundo a federação, a composição do preço envolve uma cadeia extensa, incluindo produção, refino, logística, tributação e a mistura obrigatória de biocombustíveis. A entidade defende uma análise técnica e ampla por parte das autoridades e da sociedade, evitando que a responsabilidade pelas variações de custo recaia exclusivamente sobre os postos de revenda.
Fonte: politicalivre.com.br
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