A disputa eleitoral brasileira assumiu o protagonismo nos mercados financeiros nesta quinta-feira (10/9), provocando uma reação atípica que distanciou os ativos nacionais das tendências globais. Enquanto o cenário internacional enfrentava tensões geopolíticas e pressões inflacionárias, o mercado local reagiu positivamente a novos dados de intenção de voto, resultando em uma valorização expressiva da Bolsa e recuo na cotação da moeda americana.
O dólar encerrou o dia em leve queda de 0,18%, cotado a R$ 5,10, revertendo a tendência de alta observada no início da manhã. Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou o pregão com alta de 1,42%, atingindo 188,2 mil pontos, ignorando o movimento de retração observado nas principais praças financeiras do exterior.
Repercussão das pesquisas eleitorais e expectativas fiscais
O otimismo dos investidores foi catalisado pela divulgação de uma nova pesquisa da AtlasIntel, que indicou um cenário de desvantagem numérica para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro. A reação foi amplificada por declarações políticas, incluindo a fala do candidato Augusto Cury, que descartou apoio ao petista no pleito.
Grande parte do mercado financeiro demonstra preferência pela eleição de Flávio Bolsonaro, sustentando a tese de que uma mudança na administração federal poderia atenuar as preocupações fiscais. O argumento central dos agentes econômicos é que uma nova gestão teria maior capacidade de controlar o ritmo de crescimento da dívida pública, ajustando a relação entre receitas e despesas do governo.
Descolamento frente ao pessimismo internacional
O desempenho dos ativos brasileiros ocorreu na contramão das bolsas globais. Enquanto o Ibovespa avançava, os índices de Nova York, como o S&P 500, Dow Jones e Nasdaq, registravam quedas superiores a 0,50%. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, também operava em alta, evidenciando que o alívio cambial no Brasil foi um movimento isolado e impulsionado por fatores domésticos.
Segundo Emerson Junior, da corretora Convexa, o mercado brasileiro optou por ignorar o pessimismo externo e a alta nas curvas de juros globais. Para o especialista, o movimento reflete a percepção de equilíbrio na disputa presidencial, que ratifica a competitividade entre os dois principais nomes do pleito atual.
Pressão do petróleo e política monetária global
O cenário externo foi marcado pelo acirramento dos conflitos no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Irã, o que elevou o preço do petróleo Brent para US$ 107,63, uma alta de 6,43%. Esse choque de oferta, somado à pressão inflacionária, levou o Banco Central Europeu (BCE) a elevar a taxa de juros na zona do euro para 2,5% ao ano.
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao produtor (PPI) subiu 0,4% em agosto, mantendo o Federal Reserve sob pressão para manter um discurso rígido sobre a inflação. Dados do mercado de trabalho americano também foram monitorados, com 206 mil pedidos de seguro-desemprego registrados na semana encerrada em 5 de setembro, um resultado que ficou em linha com as projeções de mercado.
Fonte: metropoles.com
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