A corrida presidencial entra em uma fase decisiva com as campanhas de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva voltando suas atenções para um contingente expressivo de eleitores que não optaram por nenhum dos candidatos no primeiro turno. No Distrito Federal e nos 33 municípios que compõem a Região Integrada de Desenvolvimento (Ride), mais de 706 mil pessoas deixaram de escolher um nome para o Palácio do Planalto, seja por meio da abstenção, do voto em branco ou do voto nulo.
Os dados, levantados pelo Metrópoles com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral, revelam que o fenômeno do “silêncio nas urnas” possui peso significativo. Somente no Distrito Federal, 485.512 eleitores não registraram voto válido, um cenário impulsionado por uma taxa de abstenção de 18,90%, somada aos votos nulos e brancos que totalizaram 3,19% do eleitorado local.
Domínio territorial e a força do conservadorismo
O mapa eleitoral do primeiro turno demonstrou uma clara predominância do bloco conservador liderado por Flávio Bolsonaro. O candidato do PL alcançou 51,31% da preferência no Distrito Federal, enquanto Lula obteve 38,11%. Essa vantagem se estendeu para a região do Entorno, onde o senador venceu em 28 dos 33 municípios, consolidando sua força em áreas ligadas ao agronegócio, como Cristalina e Unaí.
Em contrapartida, o presidente Lula manteve redutos específicos, vencendo em cinco cidades, incluindo Cavalcante e Alto Paraíso. Esses locais, frequentemente associados ao ecoturismo e a comunidades tradicionais, representam os pontos de resistência petista em uma região majoritariamente alinhada ao projeto bolsonarista.
O desafio da mobilização no segundo turno
Para o analista político Melillo Dinis, o contingente de 706 mil eleitores “invisíveis” não deve ser interpretado como um bloco homogêneo de votos disponíveis. O especialista ressalta que parte desse grupo manterá a abstenção ou o voto de protesto, enquanto a parcela que decidir comparecer às urnas no segundo turno será disputada com base em estratégias de rejeição e identificação de projetos.
“Setecentas mil pessoas que não escolheram um candidato no primeiro turno não são 700 mil votos disponíveis numa prateleira”, pontua Melillo Dinis. O desafio para as campanhas é converter esse eleitorado em um saldo favorável, considerando que a última pesquisa Datafolha, de 8 de outubro, indicou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula.
Impacto da abstenção e logística eleitoral
A mobilização para o dia 25 de outubro torna-se o principal entrave para ambos os postulantes. Com mais de 2,56 milhões de eleitores aptos a votar no Distrito Federal, a capacidade de reduzir a abstenção e conquistar o voto de quem se absteve no primeiro turno pode ser o diferencial para definir o resultado final na região.
As campanhas buscam agora dialogar com as demandas locais por saúde, segurança e mobilidade, temas que afetam diretamente a população do Distrito Federal e dos municípios vizinhos. A disputa, que também envolve o governo local entre Celina Leão e Leandro Grass, promete manter o clima de alta tensão política até a abertura das urnas.
Fonte: metropoles.com
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