O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma mensagem ao lado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) uma semana após se encontrarem na Casa Branca. Ele descreveu Flávio como um "jovem esperto que ama seu país, o Brasil". O encontro ocorreu na última terça-feira, quando Flávio expressou ao presidente americano seu principal pedido: a designação das facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas. Dois dias após a reunião, o governo dos EUA anunciou, por meio do secretário de Estado, Marco Rubio, que essas facções são consideradas as mais perigosas do país.
Nas imagens divulgadas, Flávio aparece acompanhado do empresário bolsonarista Paulo Figueiredo e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que também participaram das agendas em Washington. O grupo se reuniu com Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance. O post de Trump surge em um contexto de tensão entre Washington e Brasília. Além da designação do CV e PCC como facções terroristas, uma investigação da seção 301 foi concluída, resultando em uma proposta de aumento de 25% nas tarifas sobre produtos brasileiros, o que gerou descontentamento em Lula.
O presidente brasileiro criticou Flávio Bolsonaro, chamando-o de traidor da pátria e imbecil durante um evento em Salvador. Em uma reunião entre Lula e Trump em Washington, no início de maio, foi sugerido a criação de um grupo de trabalho para resolver as divergências comerciais entre os dois países. A expectativa era que esse grupo apresentasse resultados em 30 dias, mas a divulgação preliminar da seção 301 ocorreu uma semana antes do prazo estipulado. O escritório americano planeja uma nova audiência para o Brasil no início de julho, antes da decisão final.
Embora a estimativa do USTR já tenha sido divulgada, a decisão sobre novas sanções cabe ao presidente Trump. Além do aumento de tarifas, o governo Trump nomeou um novo embaixador para o Brasil, Daniel Perez, deputado estadual da Flórida. Com essa nomeação, os EUA terão um embaixador no país pela primeira vez desde que Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden, deixou o cargo após o término do mandato do democrata. Atualmente, a missão americana em Brasília é liderada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar.
Daniel Perez costuma demonstrar alinhamento com Trump em suas publicações nas redes sociais, utilizando expressões associadas ao movimento Maga e defendendo pautas da agenda trumpista. Em janeiro, ele manifestou apoio à operação dos EUA contra o regime de Nicolás Maduro, na qual o ditador foi deposto e capturado. O secretário de Estado, Marco Rubio, também comentou sobre o Brasil nesta semana, afirmando em audiência no Senado que o país não é amigável aos EUA, assim como Cuba e Venezuela. Ao descrever o cenário político regional, Rubio destacou que, exceto pela Nicarágua, Cuba, Venezuela e Brasil, a região conta com aliados e líderes favoráveis aos interesses americanos.
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