A Espanha enfrenta uma das piores temporadas de incêndios florestais de sua história recente, com quatro focos ativos e fora de controle nas proximidades de Madri, Ávila, Toledo e Castellón, que já consumiram mais de 81 mil hectares de vegetação. Essa situação forçou a evacuação ou o confinamento de cerca de 106 mil pessoas, levando o governo central a declarar emergência nacional nas três províncias do centro peninsular. O incêndio de Burgohondo, em Ávila, se tornou o maior da história recente do país, devastando 50 mil hectares, conforme anunciado pela vice-presidente terceira e ministra para a Transição Ecológica, Sara Aagesen, em um posto de comando unificado em Madri. O recorde anterior era de um incêndio em agosto de 2025, que destruiu 37.765 hectares na região limítrofe entre Ourense, Lugo e León.
O balanço dos incêndios no centro peninsular já atinge 77 mil hectares destruídos, abrangendo um perímetro de 280 quilômetros. O fogo na serra madrilenha queimou cerca de 25 mil hectares, enquanto o incêndio em Toledo, alimentado por brasas transportadas pelo vento, soma mais 2 mil hectares. Desde o início do ano, a área total devastada por incêndios florestais na Espanha chega a 152.678 hectares, um número seis vezes maior do que o registrado no mesmo período de 2025, que foi de 24.133 hectares. O total de grandes incêndios, aqueles que superam 500 hectares, já alcança 32 neste ano, em contraste com a média histórica de nove.
O impacto humano dos incêndios é sem precedentes, com cerca de 90 mil pessoas obrigadas a evacuar ou se confinar em Madri, Ávila e Toledo. O governo decretou a evacuação de 39 municípios, sendo 16 em Ávila, 12 em Madri e 11 em Toledo. Sete localidades permanecem sob ordem de confinamento, incluindo Villa del Prado e o loteamento El Encinar del Alberche. Mais de 3 mil pessoas foram forçadas a passar a noite em albergues municipais montados de forma emergencial. Na Comunidade Valenciana, o incêndio em La Vall d’Uixò, na província de Castellón, continua fora de controle, com mais de 6.500 hectares queimados e um perímetro de 48 quilômetros. As chamas atingiram o Parque Natural da Serra d’Espadà, resultando na evacuação de mais de 16 mil pessoas em cerca de vinte municípios. Cerca de 450 bombeiros e vinte aeronaves estão envolvidos no combate ao fogo.
Diante da gravidade da situação, a Espanha solicitou ajuda internacional, recebendo apoio de equipes da Grécia, Itália, Turquia e Portugal, além de reforços de 11 comunidades autônomas e quatro prefeituras. A Unidade Militar de Emergências (UME) mantém 1.500 militares e 500 veículos mobilizados em todo o país. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, visitou o posto de comando avançado em Navaluenga, em Ávila, e afirmou que a evolução das operações é “positiva” em alguns focos, embora a ministra Sara Aagesen tenha destacado que a situação continua “complexa” e exige alerta máximo. Sánchez anunciou que o Conselho de Ministros aprovará um decreto para declarar os territórios afetados como zonas gravemente impactadas, liberando recursos de emergência para os municípios e vítimas.
Os reis Felipe VI e Letizia visitaram o posto de comando em Navalcarnero para expressar solidariedade aos atingidos. O monarca enfatizou a coordenação das equipes e manifestou preocupação com a “perda incalculável do patrimônio natural”. Em relação às causas do incêndio em Castellón, a delegada do governo na Comunidade Valenciana, Pilar Bernabé, afirmou que o fogo “não parece ter sido provocado por causas naturais”, embora todas as linhas de investigação permaneçam abertas. Em um cenário crítico, o incêndio em La Mierla, em Guadalajara, apresentou uma trégua, levando as autoridades a suspender as medidas de evacuação e confinamento na região, permitindo o retorno gradual dos moradores que haviam sido retirados de suas casas.
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