O cinema nacional alcança um importante reconhecimento internacional com a escolha do longa-metragem Feito Pipa para representar o país na disputa por uma vaga no Oscar. Dirigido por Allan Deberton, o projeto marca a primeira vez que uma produção cearense assume esse posto na premiação, levando uma narrativa sensível sobre laços familiares, infância e diversidade para as telonas.
A estreia comercial do filme nos cinemas de todo o território nacional aproxima o público de uma história sensível ambientada no sertão nordestino. Com um elenco que une novos talentos e nomes consagrados, a obra aborda as complexidades das relações humanas e a busca por aceitação.
A jornada de Gugu e o impacto do Alzheimer
A trama acompanha o menino Gugu, interpretado pelo estreante Yuri Gomes. O garoto de doze anos é apaixonado por futebol, dança e expressões artísticas, crescendo sem julgamentos sob os cuidados de sua avó Dilma, vivida por Teca Pereira. A harmonia da rotina sofre uma reviravolta quando a avó começa a apresentar os primeiros sinais da doença de Alzheimer.
Com a perda progressiva da memória de Dilma, a dinâmica familiar muda drasticamente. A situação força a reaproximação com Batista, pai de Gugu e personagem interpretado por Lázaro Ramos, um homem marcado por rigidez e ausências que precisa lidar com a essência livre do filho.
Desconstrução de estereótipos no sertão nordestino
O roteiro, assinado por André Araújo, busca afastar a região de representações ultrapassadas e retratar um Nordeste colorido, musical e afetivo. As gravações ocorreram no município cearense de Quixadá, utilizando a paisagem local e uma antiga represa como elementos simbólicos que dialogam com a perda de memória da protagonista e o resgate de histórias submersas.
Segundo a produção, o objetivo foi construir uma narrativa fraterna que dialogue tanto com a realidade brasileira quanto com espectadores ao redor do mundo. Os conflitos abordados na obra refletem discussões contemporâneas sobre identidade, afeto e tolerância dentro do núcleo familiar.
Reconhecimento internacional e carreira em festivais
Antes da chegada ao circuito comercial, o longa circulou por diversos festivais internacionais, com passagens por Berlim, México, Nova York e Atlanta. Durante a exibição na capital alemã, a obra recebeu aplausos de pé por sete minutos consecutivos, demonstrando a força universal de sua premissa e a conexão gerada com diferentes plateias.
A seleção para representar o Brasil funciona como uma vitrine estratégica para fortalecer a presença do audiovisual nacional no exterior e incentivar o público a prestigiar as produções locais nas salas de cinema.
Fonte: bahianoticias.com.br
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