O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá 20% a menos de propaganda eleitoral na TV e no rádio em comparação ao presidente Lula (PT), caso permaneça isolado. A situação se agravou após o caso "Dark Horse", que resultou na perda do apoio do União Brasil e do PP à sua pré-candidatura presidencial. Flávio busca reverter essa situação por meio de uma aliança com o Republicanos, o que poderia lhe proporcionar uma leve vantagem sobre a campanha petista.
Nesta eleição, apenas quatro candidatos à Presidência terão direito à propaganda na TV e no rádio: Lula, Flávio, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Outros candidatos, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), não contam com o apoio de partidos que superaram a cláusula de desempenho e, portanto, não terão acesso ao horário eleitoral.
Apesar do crescente papel das redes sociais nas eleições, a propaganda na televisão e no rádio ainda é considerada importante para as campanhas majoritárias. A publicidade na TV aberta atinge principalmente o público com renda de até dois salários mínimos, faixa em que Lula lidera Flávio com 53% a 38% no segundo turno, segundo pesquisa do Datafolha realizada em 17 e 18 de junho. No rádio, a propaganda é mais eficaz para alcançar eleitores do interior ou aqueles que estão em deslocamento nas grandes cidades. Inserções de 30 ou 60 segundos são vistas como mais eficientes do que blocos de propaganda mais longos, pois permitem reforçar os pontos fortes dos candidatos e destacar problemas dos adversários.
Lula está em vantagem na propaganda na TV e no rádio, pois conseguiu unificar os maiores partidos de esquerda em torno de sua candidatura, mesmo sem o apoio de partidos de centro ou centro-direita. Ele deve concorrer à reeleição em uma aliança com as federações de PT/PV/PCdoB e do PSOL/Rede, além de PDT e PSB. Se Flávio continuar isolado e contar apenas com o apoio do PL, Lula terá um minuto a mais por dia nos blocos de 12 minutos e 30 segundos do horário eleitoral. Lula terá 5 minutos e 32 segundos de cada programa, enquanto Flávio contará com 4 minutos e 20 segundos. Caiado terá 2 minutos e 2 segundos, e Cury, 36 segundos.
Caso Flávio consiga o apoio do Republicanos, ele passará a ter uma leve vantagem sobre Lula, com 5 minutos e 16 segundos contra 4 minutos e 51 segundos. Caiado disporá de 1 minuto e 49 segundos, e Cury, 34 segundos. O pré-candidato do PL está em busca do apoio do Republicanos, embora o partido tenha indicado preferência por uma posição neutra na disputa presidencial. Negociações em quatro estados podem alterar esse cenário, assim como a oferta da vice-presidência na chapa.
O PL avançou nas tratativas para apoiar os candidatos do Republicanos ao governo do Espírito Santo e aguarda a decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre sua candidatura ao governo para anunciar uma aliança em Minas Gerais. No Acre, a situação permanece indefinida entre apoiar a governadora Mailza Assis (PP) ou o senador Alan Rick (Republicanos). Em Mato Grosso, o PL enfrentará o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) com a candidatura do senador Wellington Fagundes (PL).
Outra possibilidade é que o Republicanos assuma a vice na chapa, com Flávio preferindo o nome da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques. No entanto, ela é recém-filiada ao partido e não é considerada a favorita da legenda. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que a tendência atual é que o partido permaneça neutro nas eleições presidenciais. Ele está consultando os diretórios estaduais para uma decisão até o fim do prazo, em 5 de agosto.
Pereira declarou em nota no domingo (12) que uma pesquisa encomendada pelo partido revelou um sentimento de frustração em relação à pré-candidatura de Flávio e uma preferência pela neutralidade nas eleições. Dirigentes do Republicanos afirmam que a sigla tinha uma posição mais favorável a Flávio, mas essa situação mudou após a revelação, em maio, de que ele solicitou dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Flávio alegou que os recursos seriam destinados ao financiamento do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Esse episódio resultou em uma queda nas pesquisas e na perda do apoio de outros dois partidos do centrão, o PP e o União Brasil, que eram prioridades para sua candidatura. Se Flávio conseguisse formar uma coligação com o PL e as três siglas, ele teria 6 minutos e 50 segundos de propaganda por bloco, quase o dobro do tempo de Lula, que contaria com 3 minutos e 43 segundos.
O cálculo do tempo de propaganda é baseado no tamanho das coligações de cada candidato e nas bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados na última eleição, em 2022. Dez por cento do tempo é dividido igualmente entre os presidenciáveis que têm apoio de pelo menos um partido que superou a cláusula de desempenho, enquanto os outros 90% são repartidos conforme o número de deputados eleitos pelas siglas que compõem a chapa. O volume de inserções durante a programação é proporcional ao tempo de propaganda em cada bloco do horário eleitoral. No segundo turno, os dois candidatos que permanecerem dividem o tempo igualmente, independentemente do tamanho de suas coligações.
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