O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apresentou denúncia contra o empresário Douglas Silva de Oliveira Azara e os ex-sócios da Naskar Gestão de Ativos, Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato. Segundo a acusação, o grupo teria enganado investidores ao simular a venda da empresa como uma estratégia para conter uma crise financeira que atingia o negócio.
A transação, que envolveria a compra da fintech pela Azara Capital por R$ 1,2 bilhão, foi apresentada aos clientes como uma solução definitiva. Contudo, as investigações indicam que a operação não passou de uma manobra para manter investidores em erro, sem qualquer comprovação da existência dos recursos necessários para o aporte bilionário.
A engrenagem do esquema fraudulento
Conforme a denúncia conduzida pelo promotor Paulo Roberto Binicheski, a falsa venda foi orquestrada como uma segunda etapa de um esquema mais amplo. Enquanto o mercado era alimentado com a promessa de um fundo robusto, a realidade patrimonial dos envolvidos era incompatível com os números divulgados.
O promotor destacou que, na época, a renda declarada por Douglas Azara era de aproximadamente R$ 1,7 mil mensais. Em contrapartida, o conjunto de empresas criadas pelo grupo, incluindo postos de combustíveis e o chamado Banco Phoenix, ostentava um capital social declarado de R$ 2,4 bilhões, um contraste que reforçou os indícios de fraude.
A fachada da Azara Capital LLC
Um dos pontos centrais da investigação do MPDFT é a questionável existência da Azara Capital LLC. Apresentada como um fundo norte-americano, a entidade não possuía comprovação idônea de sua constituição ou capacidade financeira.
O endereço da sede da empresa, localizado em Miami, revelou-se um espaço comercial compartilhado por diversas outras pessoas jurídicas. Para o Ministério Público, a criação dessa estrutura teve como objetivo único conferir uma aparência de solvência à operação, retardando medidas de proteção patrimonial pelos investidores lesados.
Envolvimento e responsabilidade dos sócios
Embora as investigações iniciais tenham focado majoritariamente no trio de ex-sócios, a nova acusação coloca Douglas Azara como peça-chave no planejamento das ações. O empresário é apontado como responsável por atos que conferiram credibilidade à sua inserção formal no esquema, logo após a aquisição da Naskar.
A denúncia reforça que o anúncio grandioso do fundo estrangeiro foi um ardil deliberado para prolongar o estado de erro dos clientes. O caso segue sob análise da Justiça do DF, que investiga a extensão dos danos causados aos investidores envolvidos na operação.
Fonte: metropoles.com
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