Um casal residente em São Carlos, no interior de São Paulo, foi vítima de um esquema criminoso sofisticado que resultou em um prejuízo de R$ 4,6 mil. Os estelionatários utilizaram recursos de inteligência artificial para simular a presença do advogado real das vítimas em uma audiência judicial, conferindo veracidade a uma cobrança indevida realizada via Pix.
A engenharia social por trás da fraude
A ação dos criminosos começou com o uso indevido da identidade do advogado Ricardo Franco. Ao entrarem em contato com o casal por meio de um número de telefone desconhecido, os golpistas utilizaram fotos e o nome do profissional para estabelecer confiança. Quando questionados sobre a necessidade de uma visita presencial ao escritório, os infratores enviaram uma imagem gerada por inteligência artificial, que simulava o advogado em um ambiente de tribunal.
Para intensificar a pressão psicológica, os criminosos introduziram a figura de um suposto promotor de Justiça. Este segundo perfil, operando com um número de DDD 54, do Rio Grande do Sul, realizou chamadas de voz exigindo pagamentos imediatos sob o pretexto de liberar valores de um processo judicial envolvendo uma disputa por aluguéis. A vítima relatou que o senso de urgência imposto pelos golpistas foi determinante para a realização das transferências financeiras.
Impactos na reputação e segurança jurídica
O advogado Ricardo Franco destacou que, embora sua imagem já tivesse sido utilizada anteriormente em tentativas de fraude, a sofisticação técnica observada neste caso é inédita. A simulação de uma audiência com o auxílio de IA e a personificação de um membro do Ministério Público elevaram o nível de credibilidade do golpe, dificultando a percepção de risco por parte dos clientes.
O escritório jurídico também sofre danos colaterais significativos com a prática. Além do prejuízo financeiro direto aos clientes, a utilização indevida da imagem dos profissionais gera uma crise de confiança, levando alguns clientes a suspeitarem da integridade dos advogados que conduzem seus processos reais. Em casos anteriores, valores expressivos, como R$ 54 mil, chegaram a ser transferidos por clientes em situações semelhantes.
Orientações para prevenção e segurança digital
Especialistas em segurança digital, como a professora Kalinka Castelo Branco, da USP São Carlos, alertam que o acesso a dados de processos judiciais públicos facilita a coleta de informações pelos criminosos. Para mitigar riscos, recomenda-se que qualquer solicitação de pagamento ou contato via números desconhecidos seja rigorosamente verificada antes de qualquer ação.
- Desconfie de contatos realizados por números de telefone diferentes dos habituais.
- Confirme a veracidade de solicitações ligando diretamente para o telefone fixo do escritório.
- Evite atender chamadas de vídeo de desconhecidos para prevenir a captura de biometria facial.
- Mantenha ceticismo absoluto diante de cobranças que exijam urgência extrema.
Para mais informações sobre como se proteger de fraudes digitais, consulte as orientações oficiais disponíveis no portal g1.globo.com.
Fonte: g1.globo.com
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