O governo Lula convocou o embaixador do Brasil na Argentina após o ataque do presidente Javier Milei ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ocorrido no último sábado (25), em São Paulo. A informação foi divulgada pelo UOL e confirmada pela Folha. O Ministério das Relações Exteriores informou que a decisão foi tomada na madrugada deste domingo (26). O embaixador Julio Bitelli deve chegar ao Brasil nesta segunda-feira (25).
A convocação de um embaixador é um importante instrumento diplomático que demonstra descontentamento entre países. Ao chamar seu representante de volta para consultas, um governo indica que considera a relação bilateral tensa e está avaliando os próximos passos de sua política externa.
No sábado, Milei chamou Moraes de "lixo careca" por não ter autorizado sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em Brasília por tentativa de golpe de Estado. Essa declaração foi feita durante um longo discurso na convenção do PL, que homologou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
A convocação do embaixador não significa, necessariamente, um rompimento das relações diplomáticas, mas é um gesto político de forte peso simbólico, frequentemente adotado em resposta a crises ou declarações consideradas ofensivas. Moraes negou o pedido de Milei logo após proibir visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias.
Julio Bitelli ocupa o cargo de embaixador na Argentina desde 2023, após aprovação pelo Senado. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, estava em deslocamento da Ásia para o Brasil e tomou conhecimento das ofensas durante o voo. Após a declaração de Milei, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, criticou a postura do presidente argentino, afirmando que "a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados".
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